Portugal joga amanhã a cartada decisiva rumo ao
Mundial na África do Sul. Sem
Ronaldo, sem
laterais esquerdos, sem
pontas-de-lança e num ambiente que se prevê bem complicado. Tudo isto depois de uma qualificação com vários factores difíceis de "encaixar".
Começando pela constante
antipatia da imprensa para com Carlos Queiroz, ele que não os apanigua como o brasileiro. A mesma imprensa que fez
manchetes de uma eliminação precoce que não existiu e que nunca se coibiu de lembrar
Scolari, esse mestre da táctica que falhou em toda a linha nas verdadeiras provas de fogo que teve. Chamar Queiroz de "pé frio", é esquecer que
perdemos um Europeu com
Scolari, em casa, com tudo a nosso favor ou que falhamos uma
final de um Mundial, com todos os factores conjugados a nosso favor, o principal dos quais a qualidade de uma equipa que hoje não temos. Ou seja,
ganhamos 0.
Queiroz não teve um
ano de amigáveis para testar jogadores ou equipa,
Scolari teve. Queiroz não teve um
Porto campeão europeu como estrutura base da selecção,
Scolari teve, mesmo que no início não o quisesse aproveitar. Queiroz
não teve um grupo acessível,
Scolari sempre teve. Queiroz não tem
Nuno Valente,
Figo, Rui Costa ou
Pauleta e nem sequer teve
Ronaldo numa forma aceitável,
Scolari teve. Queiroz não tem quem assuma a
liderança dentro de campo,
Scolari teve Figo. Talvez por isso tenha dificuldade em perceber a animosidade da imprensa e de parte do povo português para com Carlos Queiroz. E também por ele, espero que Portugal garanta amanhã a
qualificação para o Mundial 2010.
Mesmo que para mim seja claro que
Portugal provou ao longo da fase de apuramento ser a melhor das selecções do grupo, a verdade é que está agora entregue a si mesmo. E
não será fácil. Faltou sorte ao longo de toda esta caminhada, até por vezes mais do que competência, talvez a que sobrou no encontro da 1ª mão diante da Bósnia... Agora, será em
Zenica que, contra tudo e contra todos,
Portugal tentará vencer.
De Queiroz espera-se que seja capaz de encontrar um
onze forte e de ataque, provavelmente com o adaptado Miguel Veloso no lugar do outro adaptado
Duda. E de resto, a grande quota parte de
responsabilidade estará nos ombros de cada um dos jogadores nacionais que têm experiência, qualidade e também por isso obrigação de eliminar a selecção da Bósnia. A não qualificação seria, sem qualquer margem para dúvida, uma enorme desilusão. Claro que há muito da orgânica da selecção que não concordo, nomeadamente no que à
política de naturalizações diz respeito (da qual sou frontalmente contra), mas amanhã, espero ver
Portugal cumprir a sua obrigação e qualificar-se para o Mundial, "sobrevivendo" a um
ambiente hostil e, pelos vistos, onde tudo é esperado/permitido. Porque, como diz Queiroz, "
dentro de campo só há árbitros e jogadores".
Boa Sorte, Portugal!