sexta-feira, abril 14, 2006

Rivalidade Braga-Guimarães

Muitos já terão ouvido falar, mas outros perguntam-se porquê... aproveitando o facto de me ter lembrado disto e de me terem feito chegar a revista em causa aqui vai um pouco do desbravar das razões (ou não) desta rivalidade, ainda para mais de alguém como eu, que nasceu em Guimarães e estuda em Braga.

Reportagem:

Mau Minho: A rivalidade entre Braga e Guimarães tem quase MIL anos. Tentámos encontrar um consenso entre as duas cidades. Impossível. Eles não se entendem.“Não fale nessa palavra que eu enervo-me.” A palavra é Braga, e Pedro Araújo é engraxador há 28 anos junto ao largo do Toural, em Guimarães. “Tomo conta da muralha, só saio daqui quando retirarem a placa ‘Aqui nasceu Portugal’.” Não atende clientes “da vila das Taipas para cima”, não vai a casa dos familiares bracarense e lamenta o BI registado, sem alternativa, na Cidade dos Arcebispos. Mas o que inquieta mais este engraxador é o Vitória, o maior clube de Guimarães. “A Senhora da Penha vai iluminar-nos para não descermos de divisão.” Pedro Araújo, 42 anos, benze-se, ajeita o casaco vitoriano e mostra o cartão da claque White Angels. “Vejo todos os jogos”, acrescenta, “Só vejo branco à frente”. Em Guimarães nem as filiais dos “três grandes” entram. Idalécio Guimarães , nem de propósito, vai mais longe. “Se tentarem abrir uma filial, eu destruo-a.” O antigo líder da claque Insane Guys já teve o carro partido, foi sovado e ameaçado. Garante que pagou da mesma moeda. Tudo por amor ao clube e pela rixa com os bracarenses.A bola agita as mentalidades. Guimarães tem a camisola mais cara da Liga (65 Euros), segue-se ao Benfica, Sporting e FC Porto na assistência média (14 mil pessoas contra 11,5 mil no municipal de Braga) e o número de quotas quase dobra o SC Braga.As claques Bracara Legion e Red Boys preferem olhar para a tabela (o Braga ocupa o quarto lugar, enquanto o Guimarães está no grupo dos últimos classificados). “Em dia de um ‘derby’ há sempre porrada, autocarros partidos e pedras a voar”, diz João Mané, líder dos Red Boys. Evandro Lopes, um dos responsáveis da Associação Bravos da Boa Luz, nascido “mesmo na freguesia da Sé” de Braga há 51 anos, homenageou há poucas semanas o avançado Bino, um dos vencedores da Taça de Portugal na época de 1965/66. É o único grande título de futebol do Minho. “O futebol serve de desculpa a um micróbio qualquer que contamina o subconsciente das duas cidades”, explica. Recentemente, este gestor de crédito investigou a árvore genealógica para saber se o seu “sangue era cem por cento brácaro”. “Confirmou-se!”, diz aliviado. Anos ante, já Evandro tinha provocado os vimaranenses, ao gerir um restaurante chamado Conde D. Henrique, junto a uma das capelas da Sé, no centro de Baga.O Imperial é o café/residencial mais antigo de Guimarães. Por aqui passaram Vasco Santana, Amália Rodrigues ou Ruy de Carvalho. Construído em 1946, é dirigido pelos irmãos septuagenários José e Domingos Gonçalves. “Ser vimaranense é ser português e sentir o hino duas vezes”, atira José. “Nem fica bem dizer, mas fala-se que D. Afonso Henriques nasceu em Coimbra”, acrescenta Domingos. “É um sino que toca a rebate. Estão em causa valores, tradições, a luta”, explica Amaro das Neves, director da Sociedade Martins Sarmento.
Quem estica a corda é Henrique Barreto Nunes, director da Biblioteca Pública de Braga. “Dizer que o Condado Portucalense nasceu em Guimarães é uma interpretação, embora a batalha decisiva tenha sido lá. Quando se diz ‘Aqui nasceu Portugal’, fala-se do Minho.” Para este historiador, berço da monarquia é diferente de berço da nacionalidade. Salazar é também responsável pela confusão. O ditador português desfigurou o Paço dos Duques com a ajuda de um arquitecto francês: queria dar a ideia de que num quarto dormia D. Urraca, no outro D. Afonso Henriques…Guimarães ganha a Braga em quilómetros quadrados (241 contra 183) e freguesias (69 contra 62), mas desde 1998 que perde em número de habitantes (161 mil contra 169 mil), quando Vizela passou a concelho. Os dados são da Associação Nacional de Municípios. Curiosamente, 24 de Junho é a data do feriado das duas cidades. Guimarães “vive”a batalha de S. Mamede; Braga distribui martelinhos e alho-porro no São João.A política é uma colisão efervescente. Há vários exemplos. Fernando Ribeiro da Silva foi o último vimaranense governador civil de Braga, mas serviu os dois concelhos com imparcialidade; a sede da Grande Área Metropolitana do Minho, agora mortiça, foi disputada pelas duas cidades; a oposição vimaranense tem pedido a autonomia do ‘campus’ universitário local nas campanhas eleitorais; o município de Guimarães não pertence à Região de Turismo do Verde Minho (RTVM), mas sim à Zona de Turismo de Guimarães (ZTG), estrutura criada pela autarquia nos anos 80, alegadamente por conflitos pessoais e receio de diferenças na promoção e acesso a verbas. Actualmente, a discórdia gira à volta do Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento, ligado à investigação em nanotecnologia. O actual Governo anunciou-o para Braga. António Magalhães, presidente da Câmara de Guimarães, e a Associação Comercial de Guimarães corrigiram a notícia. Seria “no distrito de Braga” e, por isso, integraram-no no Parque Tecnológico das Taipas (AvePark). A novela não acaba por aqui. Francisco Mesquita Machado, presidenta da Câmara de Braga, também do PS, garante que José Sócrates, primeiro-ministro, lhe prometeu “pessoalmente” o instituto para Braga. A decisão só será conhecida na próxima cimeira luso-espanhola, a realizar em Dezembro.

Os limites concelhios também divergem. A entrada do Hotel da Falperra está sobre uma divisão imaginária. O imóvel situa-se nos limites do concelho de Guimarães, mas o parque pertence a Braga. Os seminaristas, esses, dizem que a separação é na antiga cozinha do hotel. “Por casualidade política, somos de Guimarães, o que confunde os operadores turísticos, clientes, carteiros e noivos que casam aqui”, revela Susana Miranda, directora do hotel. A igreja de Santa Maria Madalena, logo ali ao lado, tem o mesmo problema. Os marcos seculares deixam as escadas do templo barroco para Braga; a Carta Militar de Portugal diz que só a sacristia é de Guimarães. Curiosamente, Mesquita Machado casou nesta igreja. Em 2003. o PS e o PSD de Guimarães exigiram a retirada do monumento do ‘site’ da autarquia de Braga. Em vão. João Lopes da Confraria da Irmandade de Santa Maria Madalena, garante que a igreja se fez virada para a cidade a que pertencia. “Seria bom pertencer religiosamente a Braga. Quinze quilómetros para tratar da papelada é um exagero…”
A polémica resvala para as salas de aula. A Universidade do Minho (UM) foi prevista para Caldas da Taipas, uma vila entre Braga e Guimarães. Mas a dissonância levou o Governo a conceder, em 1976, a reitoria a Braga e os cursos de Engenharia a Guimarães. No ano lectivo de 1985/86 houve “uma grave crise interna”, explica o antigo reitor Sérgio Machado dos Santos. Os docentes de Engenharia repudiaram a evolução artificial e menorizada do seu pólo de Azurém. António Guimarães Rodrigues, actual reitor, mantém-se a margem do debate e procura, antes, aproximar a região com projectos científicos e culturais.Os alunos da UM, mesmo os que chegam de fora preferem viver em Braga. A capital do Minho possui o dobro dos universitários e “há mais animação”, dizem. O propósito traje académico é polémico. Alunos naturais de Guimarães ou que estudem em Azurém recusam usar as bermudas e o tricórnio e pintam as casas de banho com essa reivindicação. A vestimenta do secular Colégio São Paulo, em Braga, foi reavivada em 1989. A Associação de Comissões de Festas Nicolinas defendeu a utilização do nicolino (capa e batina a moda coimbrã), o único traje do estudante local. A Queima das Fitas só agrava a discussão. A solução passa por entregar a Recepção ao Caloiro a Guimarães (Outubro) e o Enterro da Gata a Braga (Maio).

A História

O pontapé de partida no conflito tem cerca de mil anos. O geógrafo Miguel Bandeira diz que a Carta do Condado delimitava o coute de Braga, separando desde cedo o senhorio eclesiástico (com justiça e impostos próprios) do condal. “Era um Vaticano, uma cidade-Estado.” O conde D. Henrique instalou-se em Guimarães. O clima subiu de tom com a Colegiada da Senhora da Oliveira, em Guimarães, que tinha jurisdição da Santa Sé. O arcebispo de Braga, D. Estêvão Soares, queixou-se ao Papa Inocêncio III “de os priores da Colegiada terem regalias a mais”, conta Alves de Oliveira no 36º ‘Boletim dos Trabalhos Históricos’. A Concordata de 1216 vexava os vimaranenses. D. Estêvão Soares desentendeu-se com D. Afonso II. A Colegiada aliava-se ao rei, que pediu para destruir bens do metropolita. Burgueses vimaranenses queimaram celeiros, pomares e matas. Foram excomungados. A directora do Museu Alberto Sampaio, Isabel Fernandes, lembra que até ao século XVIII diversos clérigos insistiram em visitar a Colegiada. A maioria ficara à chuva e tentava investida nocturna.Há mais histórias dentro da História. Em 1883, o cortejo fúnebre de uma bracarense que vivia em Guimarães foi recebida à entrada de Braga por uma multidão munida de paus, que exigia que o corpo fosse levado para o cemitério num carro local. A família negou, houve pancadaria e o cadáver foi arrancado com violência. A querela reacendeu em 1885, numa sessão da Junta Geral do Distrito de Braga. Os procuradores vimaranenses José Minotes, conde de Margaride e Joaquim de Meira – explica Amaro das Neves – foram perseguidos, assobiados em enlameados e a carruagem apedrejada aos gritos de “Morra Guimarães”. Ninguém ficou ferido.Cerca de duas mil pessoas saíram à rua, mais de um décimo da população da cidade. Em causa estava a sessão para a aprovação do curso complementar de ciências no liceu local. “As duas localidades desestimam-se de sobra para viverem unidas”, titulava um dos jornais locais. Maria Adelaide Morais, investigadora vimaranense, recorda o incidente “O meu bisavô jurou-me que a partir daí não pôs os pés mais em Braga.”Em Guimarães, ainda em 1885, organizava-se uma marcha de protesto com archotes e uma reunião na Associação Artística. A sessão extraordinária do executivo decidiu a “União ao [distrito do] Porto”, criando a comissão de vigilância e resistência. As casas começaram a ostentar bandeiras com a divisa “União ao Porto”. As senhoras bordaram uma bandeira azul e branca com a inscrição “Antes quebrar que torcer” e enviaram uma representação à rainha a pedir protecção. Os bracarenses responderam com representações e reuniões contra a desanexação. O Governo fontista, por sua vez, envia o deputado João Franco a Guimarães na celebração dos 700 anos da morte de D. Afonso Henriques (6 de Dezembro de 1885). O projecto de lei de desanexação administrativa e política foi aprovado a 17 de Julho. O município ficaria sob a alçada de Lisboa até à República.
Actualidade



Braga é apelidada em Guimarães de terra dos três pês (padres, putas e paneleiros). É a cultura popular alimenta os ânimos. Joaquim Esteves, artesão, fez a estatueta ‘Três Pês’ a pedido da Região de Turismo. Recebeu dezenas de encomendas, deixando a arquidiocese à beira de um ataque de nervos. As caricaturas ainda mostram bracarenses a erguer tamancos, a comer frigideiras e a trocar o v pelo b; ou Guimarães a erguer garfos, a comer sardões ou passarinhos e a abrir as vogais.Carlos Nunes, ourives, recorda-se dos “brilhas”, os industriais novos-ricos do calçado e têxtil de Guimarães, que entre os anos 50 e 80 reluziam com brilhantina no cabelo e carro novo. “Recusavam passar por Braga quando iam ao Norte”, acrescenta.Durante esse período, houve imensos casamentos entre rapazes vimaranenses e raparigas de Braga. Eles, filhos de industriais novos-ricos, elas, desejadas pela beleza e prestígio intelectual. “Eu contrario o provérbio ‘de Braga nem bom vento nem bom casamento’”, diz João Guimarães, a viver em Braga há 40 anos. Este minhoto toma habitualmente o café da manhã na Confeitaria Lusitana com Emílio Lacerda, o sócio mais antigo do ABC de Braga. “Guimarães não tem o comércio moderno de Braga”, diz um, “Braga não tem o centro de Guimarães”, responde o outro. Há sempre uma diferença, um trunfo para ser jogado na melhor altura. Como a dos “espanhóis” e dos “marroquinos”.


Nos anos 90, o Vitória de Guimarães terá sido prejudicado num jogo para o campeonato de futebol. Os adeptos, furiosos, destruíram o carro do árbitro em desespero. Na jornada seguinte o clube jogou em casa emprestada – em Braga justamente. Um cartaz acompanhava os vitorianos: “Para sermos tratados assim, mais vale sermos espanhóis.” O “descuido” foi adaptado de imediato. Os vimaranenses, tão fervorosos pela pátria, passavam a ser “os espanhóis”. Meses depois, a retaliação contrariava a ordem geográfica: os bracarenses passavam a ser “os marroquinos”. A teima, usada em tom de brincadeira, vinca uma ironia secular.


in Jornal de Notícias "Mau Minho"

7 Comentários:

Anónimo disse...

ehheh.. e eu que sou de Longos... Pertence a Guimarães mas estou mais perto de Braga. Alias, so vou a Guimarães para tratar de papelada. Esta rivalidade é engraçada se bem que Guimarães nasceu de Braga e Braga tivesse sido a verdadeira 1ª capital de Portus Cale pois era capital da antiga Gallaecia Bracari de onde nasceu o condado Portucalense. Mesmo D.A.Henriques apenas foi para Guimaraes que naquela altura nao passava de uma aldeola por se encontrar perto da sede da nacionalidade. So mais tarde guimaraes se converteu em capital Guimaraes e o berço da NACIONALIDADE mas não da NAÇÃO que esta já existia... Alias, D.A.Henriques e o responsavel pela separação da Galiza e do Norte que ate aí eram o mesmo reino.

1/4/08 00:02
Anónimo disse...

Eu acho que Braga devia passar a chamar-se a terra dos 3 P do B. B de BURROS!!!
Ó menino da Sé, qual é a parte que não percebe???
"Guimarães ganha a Braga em quilómetros quadrados (241 contra 183) e freguesias (69 contra 62), mas desde 1998 que perde em número de habitantes (161 mil contra 169 mil), quando Vizela passou a concelho. Os dados são da Associação Nacional de Municípios".
DADOS DA ASSOC. NACIONAL DE MUNICIPIOS!!!!

Vocês se não eram os padrecos no tempo em que a Igreja mandava nisto tudo, a esta hora não eram nada.
E deixa o Mesquita sair da câmara que tu vês o que vai acontecer à vossa terreola. Vai abrir falência num instante...

20/9/08 10:54
Nisa disse...

Tenho a dizer a todos os Bracarenses e Vimaranenses que adoro esta rivalidade!!! Sou de Braga e adoro ser de Braga, mas também gosto muito de Guimarães, por acaso uma cidade muito bonita e muito simpática que adoro visitar. Sou de Braga e alguns dos meus melhores amigos são "espanhóis" (como carinhosamente lhes chamo) e eles a mim "marroquina"! Sabem que mais? Somos grandes amigos e o facto de sermos de cidades "rivais" não afecta em nada, só dá motivo para brincadeira!!! Quanto ao futebol não sou de ligar muito, porque contrario uma grande parte dos bracarenses, sou de Braga, apoio o S.C.Braga e sou adepta portista e com muito gosto, carago!!! Já nesse aspecto louvo os vimaranenses porque só apoiam o futebol da sua cidade, Parabéns!!!
Agora só peço a todos os bracarenses/marroquinos e vimaranenses/espanhóis, para que não sejam parvinhos e sigam o meu exemplo e dos meus amigos, se não conseguirem, então comportem-se apenas como humanos e não usem a violência, somos ambos de linda terras e claro cada um torce pela usa, tal como eu por Braga (só a melhor cidade do país, para mim claro). Somos todos minhotos, falamos tudo com os nossos "bês" característicos, somos vizinhos, somos do norte, então porque tanta rivalidade às vezes tão desfundamentada??? Qual a razão de sermos tão bárbaros??? Vamos lá ser gente civilizada!! E sabem q mais? Viva Braga e Viva Guimarães e as suas gentes maravilhosas!!!

2/3/09 15:12
Vimaranes disse...

Cara Nisa, os meus sinceros parabéns por esse magnífico comentário.
Saudações vimaranenses.

2/3/09 15:14
Braga92 disse...

Sou de Braga.
Só sou rival do guimarães porque eles se acham os maiores,e só sabem resolver os problemas com porrada, guimarães tem rivalidades com muitas outras cidades e clubes não é só com Braga esta rivalidade intensificou se e muito com o massacre que ocorreu em Braga quando os adeptos do guimarães mataram crianças entre outros adeptos sem qualquer piedade, o que me mete mais pena é as crianças indefesas que morreram, ah e depois disto ainda meteram um caixão na nossa avenida a gozar connosco.Depois digam que não há motivos para termos rivalidades.

15/2/10 13:13
geniushiba disse...

Nunca pensei que a rivalidade fosse tão antiga.
Pensei que era mais recente e que era so devido ao futebol.
Ha sempre coisa a aprender.
A verdade e que a rivalidade e sempre boa é pena é muitas vezes ser levado ao extremo como os jogos entre o vitoria e o braga e tenho pena que isso aconteça porque em vez de clima de festa tambem ha um clima muito quente.
Mas pronto eu poucas vezes vou a Guimaraes mas diga-se estive la quando o braga foi la jogar passei la a tarde toda a passear e cheguei a conclusão que é uma sociedade muito pacata e calma, mas quando chegou a hora do jogo transformaram-se mais uma vez acho que a rivalidade e muito levada ao extremo mas é sempre bom ter uma rivalidade assim ...
Mas pessoalmente nada tenho contra os 'espanhois' porque conheço gente dai (e ate da claque dos white angels) e doume bem com eles :)

cumprimentos a todos
Força Braga :)
Miguel Fonseca

9/4/10 13:24
100120836386474764781 disse...

Boa tarde,
Eu sou um natural de Guimarães e lamento a má pesquisa da rivalidade que li. Toda a informação que li baseia-se em boatos e detalhes que as populações de ambas as cidades afirmam a pés juntos e de "mão sobre a bíblia" que é verdade.

De facto, rivalidade violenta e de certo modo posso mesmo dizer, estúpida, só consigo mesmo ver numa faixa etária acima dos 30/35 anos.

Para quem quiser saber e informar-se sobre rivalidade que realmente existiu e se extrapolou actualmente para o futebol (onde encontramos os famosos holligans ou simplesmente vândalos), poderá ir ao Museu da Sociedade Martins Sarmento e igualmente ao Arquivo Municipal da Cidade de Guimarães. Lá encontram registado acontecimentos de real violência entre as duas cidades devido a interesses económicos. (isto entre os anos de 1882 e 1889)
Nessa altura, o problema que estava envolvido, devia-se aos vimaranenses na epoca considerarem que estavam a ser roubados pois todos os pagamentos eram feitos directamente a Braga, e do dinheiro que vinha para o distrito de Braga não chegaria o valor correcto a Guimarães. (essa é a revolta na epoca) a solução deu-se num tratado assinado em 1886, um ano depois do mandatário de Guimarães ser apedrejado em Braga, no qual (esse tratado) Guimarães passava a prestar contas directamente a Lisboa. Para maior informação ou detalhe de rigor histórico podem ir aos locais que acima mencionei.

Mesmo já mais recentemente, quando a freguesia de Fafe e Vizela passaram a conselho, os mais cépticos podem acreditar ou não que houve interesses e influencias politicas, pois já nessa altura, alem de Guimarães ter maior área que Braga (como sempre teve), tinha igualmente maior população e PIB do que Braga...

De resto, faço a minha vida entre Guimarães e Braga, (mais Braga na verdade) e tenho pode vezes de ouvir alguns bragarenses a chamarem-me espanhol... Comentário que jocosamente respondo que não sabem geografia (pois Braga está mais próximo da fronteira de espanha do que portugal) Comentário esse que respondo igualmente aos conterrâneos que chamam marroquinos aos bracarenses, pois marrocos fica para o sul e não para norte.

17/10/12 16:09