O destaque de hoje da rubrica "Recordar é Viver" é o brasileiro Almiro, uns dos jogadores de eleição da década de 70. Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, na região centro brasileira, a 28 de Fevereiro de 1948, Almiro António Gonçalves chegou ao Vitória no ano de 1974.Antes disso, já havia despertado as atenções dos brasileiros quando tinha sido colega de Pelé no Santos FC. Almiro foi inclusive, na altura, apelidado de "novo Pelé", por um dos mais reputados jornalistas brasileiros (e grande amigo do próprio Pelé), Michel Laurence, face à qualidade que exibia. No entanto, o jovem jogador acabaria por ter o lugar "tapado" pelo próprio Pelé na equipa Santista e por isso sairia rumo ao Bangu em 1970.
Em apenas uma época ganhou a notoriedade que lhe valeu o salto para o Vitória de Salvador, até ingressar no Vitória de Guimarães três anos depois. Em Guimarães, torna-se um dos jogadores de maior destaque de uma equipa repleta de grandes nomes, como Tito, Custódio Pinto ou Jeremias por exemplo. Desde "gazela" a "cérebro da equipa", todos os elogios eram poucos para enaltecer a qualidade e virtuosismo de Almiro. Em 1976 e num jogo referente à Taça Intertoto, em Bratislava (eliminatória que o Vitória haveria de perder (0-4/1-0), diante do Inter local, Almiro foi vítima de uma cotovelada que jamais iria esquecer e que lhe custaria a visão.
Ao não querer ser operado (até porque na altura não era uma operação fácil) e com a "herança genética" de glaucoma a piorar as coisas, Almiro vai perdendo a visão.
Em 1981, e com a visão já a impedi-lo de prosseguir carreira, põe fim à mesma e regressa ao Brasil.
Lá, torna-se guia-turístico, e aprende inglês, espanhol e italiano. Mesmo sem a visão de outrora, usa a memória para se continuar a lembrar de todos os cantos e lugares.É no Brasil que continua agora cerca de 27 anos depois de ter deixado o Berço e consequentemente, como conta, os adeptos em lágrimas. A cegueira total a partir de 2001, "obrigam-no" à reforma mas não lhe apagam a alegria de viver e todas as memórias dos anos mais felizes da sua vida. Foram oito e vividos na cidade que continua a chamar de "Berço da civilização portuguesa".
Almiro refugia-se agora num pequeno bairro brasileiro, é casado e tem dois filhos que, com orgulho, diz serem "vimaranenses". Nesta entrevista que concedeu ao VIMARANES, recorda esses anos, a "dívida de gratidão" que tem para com os adeptos do Vitória e a beleza de uma cidade que não esquece, nem quer esquecer. As "tascas", os lugares por onde passou, a comida, tudo continua intacto na sua memória (e que memória). Diz não guardar mágoa do jogador que o lesionou e recorda de cabeça cada um dos jogadores que fazia parte da "sua" equipa, bem como a rivalidade com o Sp. Braga.

Fala inclusive de Cristiano Ronaldo e demonstra ainda, que apesar da distância, se mantém actualizado com o presente vitoriano e abre o coração quando fala de um sonho. O de voltar a Guimarães um dia, "antes de partir para a espiritualidade", com a esposa e os dois filhos. Talvez não para ver a cidade do jeito que a vemos, porque a cegueira não lhe permite, mas para a sentir, assim que "a situação económica" o permita. E para, mais de perto, recordar cada momento que por cá viveu.
Antes de vos deixar a entrevista, uma nota de rodapé. Não pode o Vitória nunca acorrer a todos os sonhos, mas deverá sempre ser capaz de fazê-lo quando tem essa possibilidade, principalmente quando se fala de jogadores que serviram durante tanto tempo e tão bem o Vitória. Por isso, e porque sei que há gente com responsabilidade que nos lê, fica um repto de um associado que até nunca viu Almiro jogar. Porque não ajudar a que a "gazela" cumpra o sonho de voltar a visitar Guimarães?
Ouça agora a entrevista exclusiva a Almiro e fique igualmente com alguns recortes de jornais da época e também mais fotos e cromos antigos e outras mais recentes deste velha glória do nosso clube. Deixamos igualmente já a seguir, um quadro curioso e certamente de valor incalculável. Pintado pelo João Soares, quando tinha apenas 11 anos, após um jogo entre o Vitória e o Boavista e com Almiro (nº8) como o grande destaque.











Pode recordar todas as outras entrevistas, clicando aqui.






19 Comentários:
estes "flash-backs" são momentos deliciosos...
guisnake
Obrigado Guisnake. Pelo menos posso garantir que nos dá a nós um gozo enorme e esperamos obviamente que dê o mesmo aos nossos leitores.
Abraço!
Penso que são momentos destes que nos fazem arrepiar e sentir o bom que é ser do vitória. Qto à ultima parte do teu texto, acho que os actuais dirigentes do vitoria estão mais interessados em mandar po brasil de férias o nosso "director desportivo"...
mtos parabéns pela entrevista
joão nuno pacheco
Vitóooriaaa....!!!
Fantástico. Continuem o excelente trabalho de divulgação do Vitória. E se os jogadores da geração de 86/87 eu conhecia, agora estou, como tu, a conhecer figuras históricas do meu clube que nunca vi a jogar. Muito obrigado por isso.
Uma nota final para o quadro do João. Muito bom! Uma relíquia para guardares religiosamente.
Depois de ouvir estas palavras, não haverá vitoriano e/ou vimaranense que não se sinta tocado pelas mesmas.
Quanto ao repto... fica lançado. Será que alguém lhe pega?
Não sei de facto se alguém lhe vai pegar, mas creio que seria da mais inteira "justiça" que o fizessem.
Que saudades Almiro. Obrigado por tudo o que deu ao Vitória. Ainda bem que nessa altura não tínhamos o Vasco Santos a contratar jogadores. Ainda bem. Porque assim sendo tivemos jogadores de classe e foram jogadores de craveira.
Até arrepia quando Almiro fala de nomes como Ferreira da Costa, Alfredo, Rodrigues, Tito (vosso entrevistado, eu sei lá. Que bons jogadores.
Eu guardo ainda alguns cromos de futebol, meu querido Almiro, Guimarães não te esquece, pena tenho, que muitos jovens, não viveram esses tempos. Só para verem como a simplicidade desses craques, que eram craques, viviam e conviviam connosco, simples adeptos.
Até custa ver a vaidade nojenta de Nuno Assis, Gregory, Lucas, Fajardo e Tiago Ronaldo, e destes nunum deles é jogador. Nem uma sobra do que foi Almiro, Tito, Cascavel, Roldão, Ademir, Jesus, Melo e tantos outros.
Peço desculpa por citar nomes de jogadores do plantel actual, mas só desta forma, pode haver uma comparação do que são e foram os homenss profissionais do passado e alguns dos dias de hoje, dos nossos dias. Até metem nojo.
Meu querido Almiro, fique bem e desejo-lhe muita saúde e um Feliz Natal. Como foi bom ouvir a sua voz e saber, que estando com problemas de visão, meu lamento, você tá aí prá vida.
Mais uma vez, OBRIGADO.
Mais uma recordação em grande, mais um grande trabalho do blog.
Os meus parabéns.
Também nunca vi Almiro jogar, mas adorei ouvir a entrevista e espero realmente que "Milo" e companhia tornem o sonho dele realidade.
Força Vitória e parabéns ao blog, excelente como sempre.
Há sempre uma vez para tudo e hoje, estou a escrever num blogue, não resisti às boas palavras do Almiro.
Entrevista excelente. Se não a melhor, das melhores.
Como é bom ouvir os jogadores que por cá passaram.
Não tive o prazer de o ver jogar, mas dá para ficar com uma ideia.
O Almiro falou noutros nomes, não fiquem por aqui, continuem a investir nestas personalidades.
Nunca vi jogar Almiro, mas o meu pai diz maravilhas dele.
Já ouvi duas vezes a entrevista e vou ouvir mais vezes.
Almiro falou em Jeremias, um dos melhores, há quem fale que foi o melhor de sempre. Tragam esse jogador ao blogue.
Fica o apreço pela pintura desse quadro pintado pelo João, muito bonito, com todas aquelas bandeiras atrás da baliza.
Continuação de bom trabalho.
Senhor presidente do Vitória, faço um apelo para que o senhor tenha sentimentos e se já ouviu ou lhe contaram pormenores desta pequena entrevista, então, porque não, trazer Almiro e N´Dinga, a Guimarães.
Parabéns pelo ciclo de entrevistas com velhas glórias do Vitória.
eu tive a sorte de poder ver jogar op Almiro muitas e muitas vezes e recordo-o como um dos melhores jogadores que passaram pelo nosso clube.
Recordo-me,até, sem que a minha memória seja tão boa como a dele de ter assistido ao primeiro treino que fez no Vitória recém chegado do Brasil.
Curiosamente veio com outro brasileiro (Baltemar Brito) em relação ao qual existiam muito mais expectativas que rpela percurso aquer até pelo aspecto fisico.
O Brito era,com algum exagero,o dobro do Almiro !
Afinal o grande jogador era mesmo o mais franzino.
Sem prejuizo de o Brito ter feito uma boa carreira em vários clubes portugueses.
Acho que era da mais elementar justiça que lhe fosse proporcionado o retorno a esta cidade e a este clube que tanto dignificou.
Sinceramente ao ouvir a comovente entrevista do Almiro percebi ainda melhor porque somos um clube diferente.
Simplesmente arrepiante e emotiva.
Eu tive o previlégio de ver este grande jogador representar oito épocas o nosso glorioso. Conheci-o pessoalmente e nutria uma grande admiração por ele. Jamais esquecerei o seu profissionalismo ao serviço do Vitória.
Todos sabemos que a direcção do clube nada fará para o trazer de volta a Guimarães.
Porque não lançar o desafio aos associados e estender aos seus companheiros de equipa, alguns dos quais muito bem economicamente.
Seria uma alegria rever-lo novamente.
Ao Blog, o meu muito obrigado por nos dar a oportunidade de ouvir e sentir o orgulho deste velho craque, em ter vivido e jogado em Guimaraães.
Muito obrigado pelos vossos comentários. De facto, o Almiro bem merece todo este carinho de todos os Vitorianos que se lembram dele, e mesmo daqueles que só ouviram falar (bem) dele.
As entrevistas a antigas glórias vai continuar, com muitas surpresas, garanto.
Abraços
Após a audição desta excelente entrevista, quantos de nós não ficamos emocionados?
Terão sido as palavras emocionantes que ele proferiu...;o seu amor ao clube; ou será a nostalgia do amor à camisola que esses jogadores tinham e hoje deixa tanto a desejar?
Tempos áureos recordados por um homem que apesar de não observar o mundo como nós, consegue ver, melhor do que ninguém, esse sentimento vitoriano que ainda hoje bate no coração dele!
Se a todos nos encantaste com o teu futebol, hoje mais do que nunca, lanças as bases de um futuro em que os números mais importantes são os de alegrias que nos dão, e não do saldo da conta!
Força Almiro!Vitoriano Ad Eternum
Obrigado pelos vossos comentários e fico naturalmente feliz por saber que esta rubrica é tão bem recebida pelos nossos leitores. E, tal como o João fez referência as entrevistas continuarão e espero que com o sucesso desta e das anteriores.
Almiro, os meus cumprimentos e gratidão.
Faço votos para que passe um Santo Natal junto dos que o adoram.
Todos ficamos à espera para saber o que é que vale o coração do presidente do Vitória. Coração do presidente e não do Emílio Macedo da Silva. Será bem recebido. Muito bem recebido.
Duvido que haja dinheiro para o trazer Almiro. Dinheiro para viagens, está destinado ao Vasco Santana, com direito a cartão ILIMITADO. Preciso de dizer mais alguma coisa.?
Bem hajam por nos fazer recordar excertos da nossa história, e velhas glórias que passearam classe.
O Almiro não se esquéceu de falar de 3 Jogadores que eu tambem ademirava muito,que éram eles o Jermias, Romeu, e Abreu.
Ainda me lembro de os ver passar em S. João de Ponte frente hà caza do meu Pai, o Abreu tinha um BMW.1602 e o Romeu tinha um 2002.
Abraço Almiro e Bom Natal.
E um Abraço tambem para este espaço que nos tràz sempre boas Recordaoes.
Continuem.
J.Pinheiro
Conheci o Almiro no Vitoria de Guimarães,na epoca 75-76,uma pessoa digna,uma familia linda,jogamos tres epocas juntos,i nfelizmente estive no dia que ele levou esta cotovelada nos olhos,pensei que teria sido uma contusão mais leve,mas agora quando a gente envelhese,e que vem as consequencias.O Almiro esteve comigo hospedado em minha casa ,em 98,aqui no Brasil,em Belo Horizonte tem uma clinica da mais conseituadas,da America do Sul,ele fez a consulta e depois voltou para a Bahia,onde mora.Agora perdi ocontacto com ele.Somente lendo este blogue que estou tendo noticias dele,um grande abraço Almiro,e que Deus esteja sempre com vc e sua familia.Um abraço de toda a minha familia para vcs.Bei jo.Celton Antonio Nunes.
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