quinta-feira, abril 29, 2010

Opinião de... Ricardo Lopes

ÉTICA

A saída de um treinador do comando técnico de uma equipa é a coisa mais natural no mundo do futebol. Quando isso implica lucros para o clube, melhor ainda. Até aqui nada de anormal, agora com a época a decorrer já não é assim tão comum, pelo menos para mim, mas começa a sê-lo no nosso futebol. Sinais dos tempos? Ou será que pegou moda?

Não vai há muito tempo a União de Leiria fez a maldade de contratar Lito Vidigal ao Portimonense, numa altura em que a equipa algarvia liderava a liga de honra, levando o presidente dos marafados a um ataque de nervos. Esta temporada o Vitória enveredou pelo mesmo diapasão ao “roubar” Paulo Sérgio do Paços Ferreira com apenas sete jornadas decorridas.

A quatro jornadas do final do campeonato o Sporting assegurou os serviços do treinador do Vitória para a temporada seguinte abanando o castelo numa altura crucial para os vimaranenses. O reboliço foi o que se viu devido às inúmeras declarações (inoportunas) dos intervenientes. Vendo-se o Vitória órfão de técnico para a próxima temporada, rapidamente começou a prospecção para o cargo.

Ora, da mesma forma que Paulo Sérgio foi “raptado”, Manuel Machado (treinador do Nacional) é dado como sendo o sucessor do futuro treinador do Sporting causando uma enorme comichão ao Engº Rui Alves. Tudo isto seria natural se os três clubes envolvidos não estivessem a lutar pelo mesmo objectivo na ponta final do campeonato.

Independentemente dos intervenientes, de ser a nossa cor ou não, a verdade é só uma.

Ética é definitivamente uma palavra banida do dicionário dos dirigentes desportivos.

Por Ricardo Lopes

19 Comentários:

Vimaranes disse...

Nem mais Ricardo. Subscrevo por inteiro.

29/4/10 00:14
Benedictus disse...

Totalmente de acordo...

Apenas mais um espelho dos dias que correm, onde ninguém olha a meios para atingir os objectivos.

Hoje em dia vale tudo e, para a fauna que habita o futebol nacional, os princípios éticos valem o mesmo que vale para mim a mais reles das baratas.

29/4/10 00:39
Silva disse...

etica e futebol
nao podemos ser ingenuos

onde ninguem olha a meios para atingir os objectivos como dizia o o bene
hoje vale tudo e mais alguma coisa

29/4/10 00:59
Paulo César disse...

Ricardo Lopes, a verdade é só essa. Fui sempre contra a contratação do Paulo Sérgio ao Paços de Ferreira, pelo que não protestei a sua saída para o Sporting. Jogamos o mesmo jogo. Infelizmente é o futebol que temos e temos de contar com isso.

Por isso estranhei que quem apontou o dedo à ética do Paulo Sérgio ainda não o tivesse feito ao Manuel Machado. Já diz o ditado que "pimenta no cu dos outros para mim é refresco"

29/4/10 10:07
lafuente disse...

Pois mas é a lei do mercado ainda que muito pouco ética e pouco transparente.

29/4/10 12:12
lafuente disse...

A parte deste assunto Domingo em vila do conde Bruno Paixão.Ui este gajo adora o vitória.Para relembrar é o mesmo que não marcou aquele penalty escandaloso em alvalade a bem pouco tempo.Roubo a vista é o que me parece.

29/4/10 12:14
Vimaranes disse...

Caro Paulo César, eu que fui um dos que critiquei o timing da contratação de Paulo Sérgio pelo Sporting e mais do que isso, a disponibilidade demonstrada pela direcção do Vitória e do seu treinador para negociar um contrato com um adversário directo, tive a mesma opinião sobre Manuel Machado e emiti-a no habitual programa do Canal Guimarães. No caso de Manuel Machado há no entanto uma diferença, o facto de não ter contrato para a próxima época. No caso de Paulo Sérgio o que se assistiu foi a uma negociação que teve a concordância da direcção do Vitória, quer no conteúdo, quer no timing da abordagem e do anúncio do compromisso. E depois há ainda uma pequena grande diferença. Ainda não ouvi Manuel Machado (veremos se comete o mesmo erro) falar nas instalações do Nacional com Rui Alves ao lado a prometer uma boa campanha no Vitória 2010/11. E, mais do que isso, vi Rui Alves (com ou sem razão, é obviamente discutível) a ameaçar uma queixa contra o Vitória por aliciamento, ao contrário do Vitória que emitiu um comunicado sem qualquer crítica à postura do Sporting. Os casos são parecidos do ponto de vista ético, mas ainda assim com pequenas grandes diferenças.
Para mim a solução era mesma impedir a contratação de treinadores e jogadores durante a época desportiva, dentro do mesmo escalão, pelo menos.

29/4/10 12:59
Paulo César disse...

Vimaranes:
- o Manuel Machado tem contrato ate ao final da epoca, quem lhe paga ainda e o Nacional. Entao, pelos vistos ele negociou com o Vitoria estando o Nacional em disputa directa connosco. Vimaranes, estou a vontade porque nao critiquei o negocio Paulo Sergio, assumo que e um jogo que o Vitoria jogou com o P. Ferreira, esta a jogar com o Nacional e que o Sporting jogou connosco. E o que temos. Mas voce que criticou a etica do Paulo Sergio, onde esta a etica do Manuel Machado ???? Podemos ter opinioes diversas, mas nao arranje desculpas ou subterfugios para a sua incoerencia. Nao queira um Deus para o Manuel Machado e um Diabo para o Paulo Sergio. Se acha que eticamente estes negocios do futebol estao errados, entao critique os dois.

Eu nao critico nenhum, o Manuel Machado esta em fim de contrato e tem de olhar pela vida dele. O Paulo Sergio foi atras de melhor, pensa ele. Critiquei e critico apenas o facto de nas nossas instalacoes falar como tecnico do Sporting. Critiquei e critico a forma como a meio de uma epoca se vao buscar jogadores e treinadores a concorrentes do mesmo escalao.

29/4/10 14:23
Benedictus disse...

Concordo plenamente com a tua opinião, meu caro Vimaranes!

29/4/10 14:59
Vimaranes disse...

Caro Paulo César e onde me viu não criticar ou elogiar a postura de Manuel Machado? Como tive oportunidade de dizer no programa e aqui, não me parece sensato que treinadores ou clubes que disputam os mesmos objectivos negoceiem mudanças, por uma questão ética como referiu o Ricardo Lopes, independentemente de estarem ou não no seu direito. No caso do Manuel Machado, a ter ocorrido qualquer negociação acho que é uma falta de ética sim, não me parece que tenha deixado de o dizer. Mesmo que, se os treinadores se regem pela mesma lei dos jogadores a partir de Janeiro e em fim de contrato podem conversar com outros clubes. A questão aqui não é a legalidade como fez referência Rui Alves, mas antes a ética. No caso do Paulo Sérgio a situação assume outros contornos, porque envolveu a própria direcção do clube que além da ética deveria estar sempre preocupada com a dignidade do clube que defendem e com as questões desportivas, sabendo que qualquer decisão menos pensada poderá sempre resultar na desestabilização do clube. Ora, Rui Alves soube de uma aproximação e ripostou, bem ou mal, mas defendendo os seus interesses. O Vitória, no caso de Paulo Sérgio, abanou com a cabeça e apenas se preocupou com as questões financeiras. Permitindo quer o Vitória, quer Paulo Sérgio que a notícia saísse na hora errada. E foi isso que também critiquei.
Agora não tenho qualquer problema em, da mesma forma que me pareceu deselegante que Paulo Sérgio negociasse contratos com um concorrente directo, dizer o mesmo de Manuel Machado caso o mesmo também tenha acontecido o que, enquanto não houver qualquer posição oficial, nunca vamos ficar a saber.
É a isto que chama incoerência? Mas como lhe disse, pelo menos Manuel Machado não falou nas instalações do Nacional prometendo títulos e vitórias para o seu futuro ex-clube com Rui Alves ao lado a bater palmas.

29/4/10 15:45
vitor...iano disse...

Infelizmente ética é coisa que não abunda na nossa sociedade logo não vejo pq razão o futebol teria que ser diferente... cada qual só sabe olhar para o seu umbigo e como diz o ditado "com quem ferros mata, com ferros morre".

29/4/10 15:54
Paulo César disse...

Não quero fazer de polícia, mas não encontrei no blog nenhuma chamada de atenção à suposta falta de ética do Manuel MAchado, confesso que não vi o programa a que se refere. Pelo que, se criticou a postura do Manuel Machado nos termos que o faz agora, obviamente que não há incoerência, e aqui faço mea culpa.

A ética no futebol simplesmente não existe, e valha a verdade até no resto da sociedade anda um pouco redia, estamos entregues à bicharada. Se bem que neste caso concreto, e em relação ao Paulo Sérgio não considero falta de ética. O Vitória aceitou negociar com o Sporting, ilibo o P. Sérgio (fora o episódio de falar à Sporting nas nossas instalações, isso falhou). O Vitória quis fazer dinheiro, não me parece mal. Também não me parece mal o Manuel Machado em fim de contrato tratar da vida. Em qq ramo do trabalho, e cada vez mais, não podemos ser idealistas a esse ponto, julgo que o Vimaranes sabe disso.

Por muito que nos custe o Vitória tem de jogar este jogo. Se vamos ser os aprumadinhos os outros comem-nos vivos.

29/4/10 16:13
José M.Pereira disse...

Concordo em absoluto que a Ética anda arredia do futebol nacional. Agora comparar o que a SAD do UD Leiria fez ao Portimonense com a transferência de Paulo Sérgio do Paços para o Vitória e a saída do mesmo para o Sporting acho desajustada. Não conheço em pormenor os processos que referenciei, contudo, pelo que me foi dado a entender a SAD da UD Leiria contactou á revelia do Portimonense o treinador Lito Vidigal, tendo este exigido a sua libertação, ao inverso dos processos Paulo Sérgio onde julgo que houve um processo negocial entre as partes envolvidas e com correspondente aceitação.
Quanto á questão Manuel Machado, e como o povo diz “ não há fumo sem fogo”, pelo que creio que deve ter havido já contactos, no entanto, é uma situação normalíssima no futebol não só nacional como nas ligas de maior relevo. A Juventus não sondou o Rafa Benitez e o Fábio Capelo?. O Milan não sondou já o Marcelo Lippi ? Alguém tem duvidas que o Real Madrid já fez contactos com treinadores no activo para suceder a Manuel Pellegrini? Poderia aqui expor um sem número de casos. Instalou-se a crença que o Vitória ao sondar ou contratar Manuel Machado teria a passadeira entendida, pelos bons ofícios do futuro treinador, para conseguir o objectivo Liga Europa. Na minha óptica isso é impensável e se uma situação dessas fosse possível jamais poderia uma pessoa capaz dessa tamanha falta de profissionalismo ser o treinador do Vitória.
O Ricardo Lopes na sua crónica fala aqui de duas personagens (Rui Alves e João Bartolomeu) que para mim representam o lado mais obscuro do futebol português. Acerca do Rui Alves (o tal que referiu que no continente só há rafeiros), teve a distinta lata de vender 60% do passe do jogador Ruben Micael por 3.000.000€ e pagar ao detentor de 50% do passe (União da Madeira) 500.000€. Para esse “rafeiro” assenta-lhe como uma luva o ditado “Olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço”. Não me merece credibilidade pessoas desta estripe.

29/4/10 17:36
Ricardo Lopes disse...

Caro José M Pereira, deixe-me dizer-lhe que os casos que inunciei são sem dúvida diferentes. Concordo no que diz. Mas em todos eles a ética é completamente espezinhada. Quanto a Rui Alves e João Bartolomeu eu acrescentaria mais, são duas figuras sinistras. Abraço.

30/4/10 10:59
José M.Pereira disse...

Caro Ricardo,

Concordo e reforço que a ética é palavra retirada do dicionário do futebol portugues. Todavia, reitero, pelo que conheço pelo comunicação social, que não houve atropelos á ètica por parte do Vitória e por parte do Sporting nos processos Paulo Sério. Houve, isso sim, negociações que resultaram em acordos.
Abraço

30/4/10 14:41
Vimaranes disse...

Negociações essas em cuja questão financeira, ultrapassou a questão ética, caro José M. Pereira. Ou seja, percebo o que diz, mas no sentido de que eticamente e tendo o Sporting a autorização para negociar com Paulo Sérgio não houve propriamente falta de ética do ponto de vista do Sporting, mas do ponto de visto do espectador de futebol negociar treinadores enquanto se disputam os mesmos objectivos é uma notória falta de ética.

30/4/10 14:45
José M.Pereira disse...

Caro Carlos,

Não vi ninguem a apontar falta de ética por o Sporting ter contratado o João Pereira. Se bem me recordo, em Janeiro, os dois clubes tambem andavam a lutar pelos mesmos objectivos.Vamos tambem ser rigorosos.É facto que, matemáticamente, o Vitória pode e poderia alcançar o 4ª lugar mas todos nós sabemos que era extremamente dificil, para não dizer que quase impossivel,e a cada jornada que passa as hipoteses são minimas. Poder-se-á questionar o timing das negociações ou na, pior das hipoteses, a anuncio publico do acordo.Agora falar em falta de ética, não estou de acordo.
Abraço

30/4/10 15:23
Vimaranes disse...

Mas questiona-se o timing das negociações porque razão? Por razões de ética (regras de conduta), porque por razões legais nunca se poderia questionar. Não foi cometida nenhuma ilegalidade. Por questões éticas e pela defesa do futebol e dos seus intervenientes é que parece que negociar com jogadores ou treinadores de um adversário directo não me parece sensato.
Creio que foi esse o sentido da palavra ética a que o Ricardo se referiu e com o qual eu estou de acordo.
Agora percebo que uma vez que negociação foi feita por comum acordo das partes, não queira falar em ética e percebo esse ponto de vista. Eu prefiro dizer que não houve ética na primeira abordagem do Sporting e do treinador que aceitou negociar.

30/4/10 15:29
Ricardo Lopes disse...

Perfeitamente de acordo Carlos Ribeiro

30/4/10 16:55