quinta-feira, maio 06, 2010

Opinião de... José M. Pereira

O treinador, a média e o clube

Mais do que nunca, o Vitória precisa de arrepiar caminho para não perder o estatuto de 4º grande do futebol português. Por mais que nos custe, os resultados desportivos, económicos e respeito nos meandros futebolísticos estão ao nível dos clubes medianos, salvando-se a enorme e apaixonada massa associativa e o seu grande património.

Está mais que provado que não basta ter melhores técnicos, os melhores e mais talentosos jogadores, a melhor equipa, cumprir os respectivos compromissos, ter boas infoestruturas para se conseguir resultados de excelência é, sobretudo, necessário ter poder junto dos Órgãos de Comunicação Social. Cada vez mais, e basta estarmos atentos, o jogo seguinte começa-se a ganhar logo no inicio da semana. Reportando-nos aos três ditos grandes, sabemos que, para além, de terem os seus jornais de eleição que servem, quase, como porta-voz oficial, os seus técnicos, dirigentes e jogadores monopolizam o espaço informativo. Como não bastasse, esses mesmos clubes utilizam seus “pontas de lança” nos programas desportivos das TV´s e das Rádios para exerceram uma pressão de tal forma intensa sobre árbitros, dirigentes de órgãos disciplinares e de quem nomeia que estes ficam extremamente condicionados.

É por aqui que o Vitória parte em grande desvantagem. Não será necessário recuar muitos anos para nos lembrar de personalidades mediáticas associadas ao Vitória, nas quais a esmagadora maioria dos vitorianos se reviam. Estou a lembrar-me concretamente de Pimenta Machado, personalidade respeitada, escutada e com peso nos corredores do poder e na média. Após a era de Pimenta Machado mais nenhum dirigente conseguiu herdar este papel fundamental para o futebol dos dias de hoje. Julgo que quem, de alguma forma, melhor conseguiu representar esse papel foi o treinador Manuel Cajuda. Após a sua saída, ficamos entregues a umas esporádicas intervenções públicas do presidente, sendo, contudo, condicionadas pela falta de estratégia e pelo improviso num estilo que todos nós bem conhecemos. Ficamos, também, entregues ao silêncio quase sepulcral do Vice-Presidente para a área do futebol e do novel director desportivo e a um Assessor de Imprensa que não se lhe conhece uma única intervenção pública em nome do clube.

Basta reportarmos a esta semana, que antecede um jogo decisivo para o apuramento á Liga Europa, para se constatar que ninguém no clube, de uma forma planeada deu a cara para mobilizar as massas e, também, para deixar bem vincado, junto a quem de direito, que não toleramos, de uma vez por todas, sermos espoliados. A única excepção foi Nilson que, a título individual, pediu o apoio á massa adepta.

Os resultados desta política lastimável de comunicação e da falta de alguém que seja o rosto da indignação e da mobilização da nação vitoriana estão á vista de todos nós. Somos constantemente humilhados, espoliados, desrespeitados e violentados na nossa honra e dignidade e, aliás, o mais preocupante é que estamos a perder um elevado número de espectadores no nosso estádio.

Urge contratar e dar carta-branca a um treinador que, para além de exercer a sua função primeira, seja, também, a voz da nação vitoriana e o mobilizador das causas vitorianas. Daí defender a contratação de um treinador com boas qualidades enquanto técnico de futebol mas que seja, paralelamente, um bom comunicador, ter grande prestígio e ser respeitado pela média. No meu entendimento, e sendo as minhas duas principais preferências, quem tem o perfil para desempenhar este papel e que são, em simultâneo, treinadores com provas dadas são Manuel Machado e Paulo Bento. Julgo que com uma destas personalidades no comando técnico do Vitória, a indignação vitoriana ficaria bem estampada nas páginas dos jornais e a sua voz faria eco nas rádios e nas Tv’s. A revolta pelas injustiças às quais somos votados não estaria nas prateleiras do esquecimento.

Assim, com o nosso silêncio continuaremos, e cada vez mais, a ser assaltados, a lamentarmos a nossa fatalidade, a observamos impávidos e serenos ao mediatismo e as consequentes benesses do poder do futebol deslocarem-se 20 km para norte.

Por José M.Pereira

5 Comentários:

Vimaranes disse...

Subscreveria quase tudo. Não sei é se o próximo treinador conseguirá ou mesmo deverá, assumir esse mesmo papel que deverá estar entregue a algum dirigente, até pelo peso institucional.

6/5/10 18:40
ingles disse...

os adeptos ja nao querem nada com o vitoria os tais adeptos que dissem que somos unicos, da treta mas eu continua a disser que o problema e da direçao compra alguns adeptos com bilhetes eles ate protesto da treta fazem mas quando a direçao faz asneiras assobiam para lado falta uma direçao que tenha amor ao vitoria nao aos negocios direçao a trocer por o benfica fica tudo dito anti milo

6/5/10 22:41
lafuente disse...

Gustavo Lazzaretti está próximo de dar o salto para o FC Porto. Nené, agente do defesa-central, deslocou-se a Portugal para tratar pessoalmente de todo o processo da transferência, tendo-se reunido com responsáveis do clube azul-e-branco e um empresário que se movimenta preferencialmente no círculo dos dragões.

O V. Guimarães tinha o direito de opção pelo brasileiro, que se encontra cedido aos minhotos pelo At. Paranaense, mas para fazer valer essa cláusula teria primeiro de renovar com o atleta, e depois, pagar aos brasileiros 450 mil euros até final do mês.

Agora que se confirma o ataque dos portistas ao central, dificilmente o Vitória conseguirá convencer Gustavo a permanecer no castelo, pois os argumentos financeiros que os minhotos apresentem nunca igualarão os do FC Porto.

Mais uma facada contra o vitória.

7/5/10 10:16
Ricardo Silva disse...

Entao e um post com a tomada de posiçao do plantel do VITORIA acerca da pouca vergonha que os jornais tem feito nas ultimas semanas???Estamos desatentos vimaranes...

7/5/10 12:48
Vimaranes disse...

A direcção parece que também. A existir essa tomada de posição nunca deveria ter sido, pelo menos "apenas" pelo capitão de equipa. Por isso o distraído não sou eu. E depois da notícia de hoje sobre o Gustavo, a ser verdade... há muita gente desatenta lá dentro.

7/5/10 14:04