@ Hugo Delgado/Lusa
A
sina habitual. Há quanto tempo não vence o Vitória um desempate por grandes penalidades numa competição a eliminar? A saga continuou hoje. Em Vila do Conde, o
Vitória voltou a cair na Taça de Portugal nos castigos máximos. Começa a ser incrível como, anos após ano, o Vitória teima em mostrar
tanta incompetência neste tipo de lances. É que nem sequer se pode chamar de apenas sorte e azar.
Do jogo desta noite,
ninguém se poderá queixar da falta de emoção, ainda que tenha terminado como muitos nestas competições a eliminar, nos últimos anos.
Vitorianos cabisbaixos, irritados e incrédulos com mais uma eliminação da sua equipa.
Hoje, o Vitória até se pode
queixar de Pedro Henriques, quanto mais não seja por causa do
golo anulado, que não pareceu de todo irregular visto do Estádio ou até da
grande penalidade cometida por Alex, até porque o contacto esteve longe de ser
potenciador do gesto teatral do jogador vila-condense.
Mas, a verdade, é que o Vitória
também se tem de queixar de si mesmo. Do
erro infantil que deu origem ao primeiro golo do Rio Ave e de uma primeira parte em que a equipa esteve a anos-luz do exigível. Talvez por isso não seja difícil de adivinhar que Paulo Sérgio terá "puxado as orelhas" aos seus jogadores no intervalo. E, se o fez, pode dar-se por relativamente satisfeito porque a
equipa entrou bem melhor na etapa complementar, depois de alargada a frente de ataque.
Chegaria ao golo, de forma justa, num
livre de Desmarets e dava a ideia, nessa altura, que o Vitória estaria mais perto de ganhar o jogo do que o contrário. O que é certo é que os vitorianos
desperdiçaram algumas boas oportunidades para resolver o encontro e, ao mesmo tempo, baixaram o ritmo quando não deveriam.
Ainda assim, estariam preparados para o
final os minutos de maior emoção. Primeiro com o capitão
Moreno a não conseguir converter uma grande penalidade num lance que poderia ter sido decisivo. Pior, só mesmo o facto de, na resposta, os vila-condenses terem aproveitado para marcar, num grande golo de Bruno Gama. Porém, quando os braços já caíam,
Targino aproveitou um frango de Mora para
restabelecer a igualdade.
Seguia-se, pois, o prolongamento. E nesse a qualidade caiu a pique. Tendo ainda direito a uma
substituição de Paulo Sérgio que certamente o treinador vitoriano estaria longe de imaginar tão azarada.
Alex entrou para o lugar de Sereno e ainda foi a tempo para deitar tudo a perder em duas fases. Na primeira foi inocente na abordagem ao lance e Pedro Henriques aproveitou para dar um empurrão no Rio Ave. Aí, foi grande
Nilson ao evitar a passagem do Rio Ave.
Nos seis minutos finais, pareceu sempre que as duas equipas queriam esperar pelos penaltis. Algo que certamente nenhum dos vitorianos desejaria, por motivos óbvios... Mas, foi mesmo isso que aconteceu.
E,
no desempate por grande penalidades, aconteceu o de sempre. Podem mudar os actores, ou mesmo o palco, mas o desfecho parece invariavelmente decidido. E no primeiro "falhanço" voltou a entrar em cena
Alex. De novo, ligado a um momento
aziago no jogo.
Desmarets também falharia e até Nilson que durante o jogo tinha defendido duas grandes penalidades (na 1ª só não defendeu a recarga) não foi capaz de repetir o feito no desempate.
Uma nota final para o
público vitoriano.
Marcou presença em massa,
não regateou apoio e
esteve presente em maior número que os da casa. Por eles, o Vitória goleou.
Agora,
sem Taça da Liga e sem Taça de Portugal, resta a Liga Sagres.
Janeiro, quase tudo levou.