A gestão de um organismo faz-se muito de sinais e simbolismos. Liderar um clube de futebol não é excepção. Fazê-lo num emblema com uma carga identitária tão forte como o Vitória, obriga a reforçar a atenção que se dá a esta componente.
Vem isto a propósito das últimas semanas da vida do Vitória. Semanas de sinais contrários. Desde logo, no aspecto desportivo. Porque não é normal passarmos de duas exibições paupérrimas, para três triunfos consecutivos e desses, novamente, para um jogo nada inspirado que valeu a primeira derrota.
Mas, acima de tudo, no plano da gestão. Olhar para o Vitória das últimas semanas é como analisar um esquizofrénico. Porque, por um lado, continua a incapacidade costumeira na gestão desportiva e no que à transparência diz respeito. Mas, por outro, a mesma direcção, ainda que em pelouros diferentes – e isso não é acaso – dá mostras de traçar o caminho certo para reforçar o poderio desta marca.
Por muito que o início de época galvanizador tenda a escondê-lo, a gestão desportivo vitoriana continua a deixar a desejar. Um sinal negativo. Porque, semanas passadas, ainda não sabemos o valor da venda de Bebé ou da saída de Custódio. Além disso, apesar da magnífica estreia e do inegável facto de ser um belíssimo jogador, não se percebe como pode o Vitória ter esperado um mês e meio por Toscano, depositando nele a esperança de ser o “camisola 10” desejado e, ao fim de 45 minutos, perceber-se que, sendo craque, não é aquela a posição em que mais rende, obrigando Manuel Machado a mais uma adaptação.
O reverso da medalha tem-nos sido servido pelo Marketing. Onde parece haver, finalmente, uma cabeça que pensa. Até aqui este era um dos sectores mais descurados no clube, mas, finalmente, entra no rumo certo. São disto exemplos as iniciativas lançadas junto das escolas. E, acima de tudo, o protocolo com a CGD, que levou à criação do cartão CaixaVitória. É com iniciativas destas que se fidelizam e atraem novos sócios. Porque não basta gostar – como gostamos – do clube, para continuar, constantemente, a fazer esforços por ele. É destes sinais positivos que se alimenta o crescimento de um clube.
Post scriptum: Na minha última colaboração com o VIMARANES escrevi sobre as minhas memórias vitorianas dos tempos de infância. Dizia, na altura, que um dos meus heróis era Jesus. O guarda-redes do bigode, do peluche e do penálti defendido no Calderón morreu esta semana. Senti um choque e uma tristeza difíceis de transmitir por palavras. Mas o que ainda me custa mais é que o Vitória se tenha limitado a emitir um nota de condolências pobre e oca que em nada faz jus à grandeza do nosso ex-capitão. Mereceu mais atenção a morte de um antigo funcionário que, por muito competente, carismático ou simpático que fosse, não se pode comparar com um dos maiores ídolos deste clube. Mas ainda estamos em tempo de homenagear Jesus convenientemente.
Por Samuel Silva











