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| @ Sítio Vitória SC |
Os ponteiros já passavam da 1:30 da madrugada, quando João Cardoso deu por finalizada mais uma Assembleia-Geral do Vitória. Cerca de cinco centenas de associados participaram numa reunião magna pouco concorrida mas que teve pontos bem acesos e intervenções de grande qualidade por parte de associados do clube.
Da Assembleia-Geral propriamente dita e, apesar de longe de ser unânime, o primeiro ponto a ser votado acabou por ser a não admissão de entrada de jornalistas. Pelo menos dos órgãos de comunicação social nacionais, uma vez que os referentes aos locais estiveram presentes, naturalmente. Estranho é que, numa reunião magna que se quis restringir apenas a sócios do clube, tivessem estado presentes funcionários ao serviço do Vitória sem a qualidade de associado.
A retirada da camisola 12 em homenagem aos adeptos do clube foi um dos pontos aprovados sem grande discussão, ainda que também não unânime mas, acima de tudo com parca explicação.
Mas foi nos pontos mais quentes onde foi notória uma falta de preparação e competência por parte dos órgãos sociais. A intervenção de Luciano Baltar foi, pelo menos, inenarrável, tal a falta de qualidade para responder às questões dos associados. Não saber quais os passes de jogadores vendidos incluídos no relatório e contas foi apenas uma das muitas gaffes cometidas e que levou a maior contestação. Adensado ao facto de não ter conseguido responder de modo convincente a nenhuma das dúvidas colocadas pelos associados, principalmente no que toca à discrepância dos valores orçamentados para os executados, do aumento exponencial do pessoal ou da razão pela qual o passe de Moreno vendido já em Agosto, esteve já incluído neste relatório. A consequência foi uma aprovação do relatório e contas (que requereu inclusive 2ª votação) apenas por uma diferença de cerca de 28 votos, conseguidos pelos próprios votos dos representantes do órgãos sociais do clubes e conselho vitoriano, sendo que a soma dos votos contra e abstenção suplantou largamente os votos favoráveis.
Contudo, se a prestação de Luciano Baltar foi fraca, a de Emílio Macedo não foi melhor. É verdade que declarou todos os valores de transferências, mas foi uma vez mais incapaz de responder a muitas dúvidas colocadas, escondendo-se de novo na vitimização e na transparência que apregoa mais do que executa, e destacando-se pelas habituais gaffes. Relativamente aos negócios acabou por não surpreender ninguém, até porque todos os valores que confirmou já haviam sido noticiados pela comunicação social (era por isto que a CS não podia entrar?):
Sereno = 300 mil euros
Paulo Sérgio + adjuntos = 600 mil euros
Moreno = 400 mil euros
Nuno Assis = 800 mil euros + 25% do passe
Custódio = 100 mil euros
Bebé = 9 milhões de euros, dois quais apenas 5,4 milhões entraram nos cofres do Vitória. O Vitória tinha 70% do passe do atleta, 30% pertenciam ao próprio Bebé e foram adquiridos pela Gestifute por 100 mil euros, condição imposta por Jorge Mendes para mediar o negócio. Além dos 30% do passe, Jorge Mendes levou ainda mais 10% de comissão da transferência, restando ao Vitória, 60% do valor transaccionado.
Finalmente, é inacreditável como o presidente do Vitória desconhece por completo que o sorteio da Liga Zon Sagres é condicionado e em que circunstâncias ocorre esse condicionamento. Mas, pior ainda, foram as justificações apresentadas por João Martins que saiu em socorro de EMS para o voto favorável do Vitória ao atestado de menoridade a que se sujeitou para aceitar estes condicionalismos. Dizer-se que Porto, Benfica e Sporting, não podem jogar entre si nas 5 primeiras jornadas por não estarem preparados é, pelo menos, ridículo. Eles não estão e nós estamos? A justificação do Vitória não jogar em casa ao mesmo tempo do que o Braga por questões de segurança também não colhe. O Vitória nunca deveria ter votado favoravelmente uma proposta que impede o sorteio puro, criando clubes de primeira e clubes de segunda.
Em suma, esta foi mais uma Assembleia-Geral sem grandes novidades. Constatou-se, de novo, a falta de preparação dos dirigentes vitorianos para responder aos sócios, apesar de muitos terem deixado questões bastante objectivas e importantes. As intervenções de Luciano Baltar foram uma autêntica "nódoa", bem como as não respostas habituais do presidente da direcção. Mas não só. O comportamento, uma vez mais, reprovável do presidente da mesa da AG não pode ser deixado de destacar. A exemplo dos antecessores, João Cardoso comportou-se como um representante da direcção do clube, esquecendo-se que é apenas e só o representante dos sócios e que apenas a estes deve solidariedade, quer nos elogios à direcção, quer na justificação para a recusa da petição pela transparência, quer até a responder por Baltar. Mas este é um problema que continuará a existir enquanto que a mesa da AG for eleita ao lado da direcção. Nisto, infelizmente, nada de novo.