O espectador menos atento da Liga de Futebol terá, neste momento, uma ideia errada acerca do que tem sido o campeonato do Vitória. Digo isto porque, olhando para o que tem sido o debate nas TV’s, jornais da especialidade e alguma blogosfera futebolística, quem não tiver visto os jogos dos comandados de Manuel Machado ficará com a ideia de que Vitória tem sido levado ao colo na caminhada que o levou até ao segundo lugar neste primeiro terço da época.
Como uma vez disse um alemão de má memória, “uma mentira repetida muitas vezes, torna-se verdade”. No futebol a máxima propagandística aplica-se na perfeição. Especialmente no caso do futebol latino, onde o Português nem é, apesar de tudo, o pior exemplo. Mas a verdade é que este é um sector da sociedade onde quem berra mais alto é mais ouvido. Infelizmente, têm sobrado acusações nem sempre fundamentadas ao nosso clube e escasseado vozes à altura para o defender um ataque pouco nobre.
Essa mistificação vem sendo produzida desde que cometemos o sacrilégio de derrotar o campeão nacional em título. Repetiu-se, sem qualquer razão que assistisse ao adversário, quando roubamos pontos ao líder. E atingiu o cúmulo no duelo regional da última jornada.
Dos três, o Benfica parece ser o único com alguma razão. Objectivamente, nos restantes casos, é o Vitória quem mais se podia queixar da arbitragem. E pelo meio ainda assistimos a um dos mais lamentáveis momentos da época, com o golo inventado pelo fiscal de linha, em Alvalade, que mereceu uma estapafúrdia reacção do homem que manda na arbitragem. Tivesse sido ao contrário e, a esta hora, nem imagino o que seriam os comentários por esse país fora.
Infelizmente, as escabrosas regras de análise da Liga castigam mais os árbitros que têm o “azar” de errar contra as equipas que perdem. Trata-se de um “erro com interferência no resultado”, dizem. No caso do golo de Alvalade ou do fora-de-jogo não assinalado a Alan, “perdoa-se” porque o Vitória conseguiu vencer. Não faz sentido, mas são as regras que a Liga aprovou. E o Vitória até faz parte da Direcção.
Com essas regras a Liga contribui mais para acicatar ânimos do que para dar um bom exemplo a dirigentes, jogadores, treinadores e comunicação social. Este não é um clube do fim da tabela, que possa comer e calar quando é prejudicado no embate contra um candidato ao título.
Felizmente que, na sequência do último jogo, Emílio Macedo da Silva falou, finalmente, sem papas na línguas sobre arbitragem. Gostava de ver a mesma frontalidade quando estiver em causa um dos chamados grandes do futebol nacional. Mas já é uma evolução. Porque são já demasiados erros, demasiadas mistificações e demasiadas acusações para que o clube possa ficar calado.
Por Samuel Silva