domingo, novembro 27, 2011

Conferências Vitórianas IV

@Sítio oficial Vitória SC
Infelizmente, e por razões profissionais, só tive oportunidade de assistir às conferências vitorianas da parte da manhã. Ainda assim, e independentemente das questões do timing, que já noutras alturas abordei, foi uma manhã bem passada e uma boa iniciativa do conselho vitoriano esperando eu que seja a primeira edição de muitas das Conferências Vitorianas. É importante que o Vitória continue a ser discutido fora dos ambientes das assembleias-gerais se queremos que o clube tenha um futuro próspero.

Relativamente à discussão da manhã, devo antes de mais elogiar os oradores e também a moderação de Carlos Daniel. Mas, tal como o presidente do conselho vitoriano fez questão de referir, fiquei algo decepcionado com a presença de apenas cerca de duas centenas de vitorianos.

Antes de passar para a discussão propriamente dita, creio que foram da responsabilidade do reitor da Universidade do Minho as frases que mais nos devem fazer pensar. Dizia António Cunha que:

"Aprendi a apreciar e reconhecer as marcas identitárias de Guimarães. Muitas vezes são confundidas com excesso de bairrismo, mas são um potencial enorme, num mundo cada vez mais igual. Sabermos que temos uma identidade própria é cada vez mais importante. Construam um futuro usando essa força."
É, sem dúvida alguma, esta força que estamos continuamente a desperdiçar. A força que nos poderia fazer melhores do que os outros e que, por incompetência e falta de visão de quem nos dirige, se vai enfraquecendo. Aliás, Carlos Daniel, a exemplo do reitor da UM também se referiu a essa mesma força, ao mesmo tempo que aceitou o repto de se tornar sócio do Vitória, lançado por Isidro Lobo:

"Aceito o repto não de me tornar adepto fanático do Vitória aos 40 anos, mas de me tornar ainda mais próximo deste clube. A paixão que aqui existe, só conheço em Guimarães. Se há clube que tem potencial para ser melhor é o Vitória e espera que o Vitória saiba construir o seu futuro."
Relativamente à discussão, só poderei lamentar que o debate se tenha transformado naquilo que temia. Ou seja, num debate em que se deviam debater as vantagens e desvantagens das SAD's, o conselho vitoriano escolheu (?) apenas oradores defensores do modelo. Felizmente, a qualidade das questões levantadas por alguns associados tornou o debate mais equilibrado, mas não deverá deixar de merecer reflexão por parte dos organizadores, este modelo. Se não queriam ser acusados de terem organizado estas conferências para servir a direcção do clube, deveriam ter tido algum cuidado nas escolha dos oradores.

De resto, creio que fiquei com as mesmas certezas que tinha antes de entrar. Não me "tira o sono" o medo de os associados poderem perder qualquer controlo do clube com a constituição da SAD (porque acho que não corresponde à verdade) e acho que este até poderá ser o caminho um dia, mas de uma coisa tenho a certeza, nesta altura a criação de uma SAD seria um erro.

Tal como foi por várias vezes repetido, gestores incompetentes no modelo actual (como os que temos), serão gestores incompetentes numa SAD ou até num modelo intermédio. E também por isso, discutir modelos de gestão com os actuais protagonistas é pura perda de tempo. Mas essencialmente, ficou claro que a constituição de uma SAD só seria possível com alguns predicados que neste momento não podem ser cumpridos. O estado actual das finanças do Vitória não o permitiria e o quadro de activos do clube é nesta altura demasiado escasso para atrair qualquer investidor.

Mais do que isso, quem nas actuais circunstâncias do Vale do Ave, do país e da Europa, apostaria investir no Vitória? Face a isto, a criação de uma SAD nesta altura estará sempre condenada ao insucesso. E foi pena, que essa realidade (mais do que os conceitos teóricos) não tivesse sido mais debatida nas conferências vitorianas. Fernando Gomes e Paulo Lourenço, vezes sem conta, preferiram esquecer a crise actual e esconder também a realidade de muitos clubes SAD que hoje ou já não existem ou se vão definhando, dia após dia.

Daí que continuo com a mesmíssima opinião. SAD nas actuais circunstâncias? Não. Por ser inviável. Alteração do nosso modelo de gestão, para um modelo mais profissional e por isso mais responsabilizador de quem tomar conta do clube? Sim, naturalmente. Mas essa alteração de modelo só será possível com a alteração dos actuais protagonistas, obviamente.

3 Comentários:

vitoriadofuturo disse...

A ilação que se tira é que estas conferência vitoriana foi mais uma vez encomendada pela nossa direcção para fazer passar a palavra de que o caminho é a constituição da SAD. Também não pude estar presente, mas pelo que li, vem-me á mente as palavras do Sr. Pedro Xavier na assembleia geral. Se calhar esta questão passou a ser tão urgente porque se até ao final do ano não o fizermos no próximo ano devido ao estado caótico das nossas contas não nos devemos poder inscrever no campeonato nacional. Espero que ele não tenha razão ou que entretanto até lá esta direcção veja o seu rating confirmado e ser completamente deitada ao lixo. Não sou a favor nem contra a SAD, mas defendo que com uma profunda alteração de estatutos a exigir total transparência orçamental e a profissionalizar os orgãos sociais do Vitória penso que seria uma perda de tempo avançar com uma SAD. Mas isto é apenas uma só opinião, que deveria ter sido debatida na assembleia por algum expert, mas claro apenas foram convidados aqueles que interessavam que passassem a mensagem da direcção...

28/11/11 00:12
DMFS disse...

Curioso, ou não, as "não-respostas" do "nosso" presidente de câmara e "distinto" vitoriano quando cheira a eleições.

28/11/11 08:16
José Silva disse...

Eu também estou mais inclinado para uma alteração aos estatutos de forma a haver mais transparência e controlo orçamental. Quanto mais não seja para evitar orçamentos megalómanos como o deste ano.

No entanto, temos aqui uma situação digna de Schrödinger, até experimentarmos temos que admitir a SAD como boa e como má.

O estado das finanças do VSC exigem mudança, o investimento privado através de uma SAD pode ser solução, no entanto os maiores problemas para mim são:

1- Quanto vale o vitória?

E pergunto isto, no sentido de qual é o risco para os investidores? Com certeza ninguém vai investir se o risco for muito alto. Quem investe quer retorno financeiro.

Deve ser feita uma análise por quem realmente seja bom nisso, para ver se teremos capacidade de chamar investidores.

2- Estamos (os sócios) abertos à ideia de vir um Xeique das arábias "comprar" o vitória? Para competir financeiramente com fcp e slb só mesmo assim. (No entanto eu sou a favor de uma outra estratégia menos dependente de investimento)

3- qual o futuro das modalidades na SAD?


4- Como irão os sócios aderir à compra de acções? Teremos capacidade para comprar a cota (ou uma quantidade "aceitável") que normalmente é destinada apenas a sócios?

28/11/11 18:59