sábado, janeiro 14, 2012

O Vitória vai mudar


Parece ser um dado adquirido que o Vitória vai mudar nos próximos meses. Forçosamente. Parece-me inevitável que Emílio Macedo não cumprirá o seu mandato, que termina (terminaria) em Março de 2013. Esta inevitabilidade será imposta por uma de várias razões.

Primeira possibilidade: cumpre-se a vontade dos associados que pretendem a marcação de uma Assembleia Geral Extraordinária com o objectivo de destituir os órgãos sociais.

Segunda possibilidade: a actual Direcção antecipa-se a esse cenário, apresenta em Fevereiro, como prometeu recentemente, o plano de reestruturação financeira e a solução encontrada para “baixar de forma significativa” o passivo e, cumulativamente, abre à porta à possível mudança do regime de gestão. Sendo certo que a soberania dos associados é intocável, naturalmente que qualquer decisão que venha a ser tomada terá, inevitavelmente, de ser ratificada pelos mesmos. Na altura em que, eventualmente, os sócios vierem a ser chamados a pronunciar-se sobre eventuais alterações, a maioria decidirá o que achar mais conveniente para o futuro do clube. Quanto a isso, nenhum problema, portanto.

Relativamente ainda à segunda possibilidade, creio ser sensato que, a suceder, a Direcção se demita de funções, de modo a que o caminho para a decisão soberana dos sócios fique completamente livre de condicionalismos.

Terceira possibilidade: o Vitória poderá ser obrigado a mudar nos próximos meses, independentemente da vontade dos seus associados. Se entretanto avançar para votação, na Assembleia da República, o projecto de lei que prevê a obrigatoriedade de constituição em sociedades dos clubes que ainda têm regimes especiais de gestão, não haverá volta a dar, sendo que foi aventada a possibilidade de tal imposição poder ter efeitos práticos a partir já da próxima temporada – o que sinceramente não creio, mas é, de qualquer modo, uma questão de tempo. Nesta possibilidade entronca, obviamente, a mesma premissa da demissão da actual Direcção.

Conclusão: todas as possibilidades levam ao mesmo destino, ainda que por caminhos diferentes: eleições antecipadas.

O Vitória vai, seguramente, mudar nos próximos tempos. Provavelmente será sujeito a uma das maiores mudanças da sua longeva história. Preparemo-nos, portanto. Conscientes de que teremos de tomar decisões importantíssimas. Até lá, seria conveniente que, dentro do que é manifestamente possível num clube com tantas particularidades, houvesse um clima de alguma paz e tranquilidade. Mesmo sabendo que em casa onde não há pão, todos ralham e... todos têm razão. Porque não podemos impor aos vitorianos uma mesma matriz de comportamento face à realidade que é de todos, admito que em determinadas circunstâncias uns exacerbem mais do que outros os seus sentimentos, desde que o façam com elevação e civismo. Perfeitamente natural.

Como é igualmente natural mudar de opinião sobre o mesmo assunto, porque a impermanência é a única coisa permanente. Por isso, entendo como admissível que hoje muitos dos que, no passado, defendiam a constituição de uma SAD para o Vitória sejam agora fervorosamente adversos à ideia. Do mesmo modo admito pacificamente que haja quem, até há relativamente pouco tempo, se opusesse terminantemente à ideia e hoje possa dar mostras de lhe ser favorável. Mudar de opinião reflecte aprendizagem, significa, muitas vezes, que os dados entretanto se alteraram; que houve evolução, seja ela positiva ou negativa, no enquadramento das questões analisadas. Eu também já mudei inúmeras vezes de opinião sobre determinados assuntos e, seguramente, continuarei a mudar.

É natural, portanto, que Emílio Macedo e Luís Cirilo tenham alterado radicalmente a sua opinião sobre a SAD. O primeiro porque estará a preparar-se para colocar à consideração dos associados a possibilidade (nos próximos meses, como já percebemos, veremos se possibilidade ou se imposição legal) da mudança do regime de gestão. O segundo porque agora rejeita liminarmente tal ideia depois de tão afincadamente a ter defendido.

P.S.: artigo de opinião de Luís Cirilo no jornal 'O Comércio de Guimarães', página 17, de 21 de Abril de 2004: “Então o futuro. Desde logo, é perfeitamente inadiável a constituição de uma SAD para gerir o futebol do clube. Porque a legislação desportiva empurra os clubes para essa solução, e porque só através da sua constituição e da entrada de capital que ela acarreta será possível dar ao clube a estabilidade financeira que lhe permita abalançar-se a outros voos. Já aprovada em Assembleia Geral pelos associados, carece ainda da aprovação do modelo a adoptar (de novo em Assembleia Geral), sendo que esse modelo é determinante para que a SAD obtenha o êxito que o Vitória necessita. (…) o modelo que mais se adequa à realidade vitoriana é o aplicado no Futebol Clube do Porto. Ou seja, o clube participa na SAD com 40% e os restantes 60% são colocados no mercado, numa primeira fase em subscrição reservada aos associados do clube e posteriormente aberta aos investidores em geral.”

6 Comentários:

Edmur disse...

Este Abel Sousa é um individuo curioso, alem de ser o lacaio há muito da actual direcçao. As palavras deste senhor nao valem nada, como sabemos, e o que faz enquanto "paineleiro" e psudo jornalista é do mais baixo que pode existir. No que concerne à memoria, temos que lhe tirar o chapeu, vai buscar um artigo de Luis Cirilo escrito pasme-se, há 8 ANOS, e tenta cola-lo ao mesmo com condiçoes completamente diferentes, em que as SAD estavam a dar os primeiros passos em Portugal, e em que o Vitoria nao estava falido como está agora. Louvo a coragem de Luis Cirilo de perceber 8 anos depois que o caminho nao é este no actual panorama. Ora aqui está mais uma boa encomenda do sernhor Milo. Deste vez o senhor Abel nao terá aque ir a correr pedir desculpas ao Milo pelo que escreveu. Valha-nos que em breve os abeis deste nosso mundo que é o Vitoria ja nao terao lugar para emitir estas diarreias mentais encomendadas.

14/1/12 15:28
vip-franca disse...

Enervem-se e reclamem tudo! Mas façam um favor ao nosso clube que é para o bem de todos os Vitorianos:
Apoiem a S.A.D.

14/1/12 17:00
Amadeu disse...

A SAD é para o bem do VSC ou do Milo?

O guarda Abel é mesmo um triste. Um verdadeiro lacaio da Corja vermelha.

Rua com a incompetência, pequenez, subserviência, gestão danosa e conflitos de interesses.

14/1/12 20:29
Amadeu disse...

Já agora, para o "vip-franca", a SAD para acontecer como ao Saragoça?

Juizo.

JC quer a SAD para ser ele o presidente da mesma. Cuidado com estes mal intencionados.

O Vitória é nosso e há-de ser...

15/1/12 13:08
luis cirilo disse...

Um esclarecimento devido á consideração que tenho pelos autories do blogue e ao respeito pela generalidade dos leitores.
De facto há 8 (oito) anos defendia uma SAD.
Nessa altura era,na minha opinião e das minhas opiniões não peço desculpa,a melhor solução para o Vitória.
O fenómenos das SAD era relativamente recente, o clube já não estando nos tempos aureos tinha ainda assim uma situação financeira desafogada se comparada com a de hoje,existia a real perspectiva de aparecerem bons investidores.
Hoje passados oito anos a situação é muito diferente.
Nenhuma SAD se revelou financeiramente um êxito.
O clube tem uma situação fianceira calamitosa que desaconselha em absoluto uma mudança tão radical do modelo de gestãp.
Não existem investidores interessados numa SAD para o Vitória.
É verdade que mudei de opinião.
Depois de meia duzia de anos em que tive a possibilidade de analisar o que são as SAD e o que é a realidade do Vitória.
Acho grotesco,mas não me surpreende vindo de onde vem,que se pretenda branquear uma mudança de opinião em oito dias com uma mudança de opinião em oito anos.
Felizmente os vitorianos são inteligentes.

15/1/12 18:58
ricardo sempre disse...

Bom dia.
Vir aqui criticar o Abel Sousa, é mesmo só para quem não o conhece.
Conheço o Abel á muitos anos, Vitoriano como poucos e jornalista de livre expressão, seja para elogiar o Vitoria ou até criticar.
Concordo com o post e segue a minha opinião.
O Vitoria vai mudar já nos proximos dias, com Emilio Macedo ou sem ele.
A mudança será na proxima Assembleia geral, "marcada pelo Presidente Assembleia Geral" onde será apresentado o novo modelo de gestão , juntamente com um investidor para um fundo de investimento.
Quanto a isto, os jornais já escreveram bastante, mas nenhum sabe dos pormenores desta operação.
Já foi dito por Emilo Macedo que que acabar ou parte do passivo antes do termino da sua gestão.
Será apresentado nessa assembleia geral a já referida solução e caberá aos associados, aprovar ou não a solução.
Caso seja aprovada a proposta, na minha opinião, Emilo Macedo demite-se, alegando que cumpriu o prometido e nada mais tem a fazer no Vitória, pois o clube fica numa situação financeira muito vantajosa, para quem o gerir a seguir.
Caso a proposta seja recusada, na minha opinião, Emilio Macedo demite-se da mesma forma, alegando que mesmo com uma solução em mãos, os sócios não querem, então não adianta continuar, mas a solução financeira também fica pelo caminho.
Para o contentamento de algumas pessoas, Emilo Macedo vai mesmo embora, para o bem do Vitória era bom que fosse embora, com a sua promessa concretizada.
A minha opinião é fundada com muito conhecimento de causa, comentarei aqui pós essa Assembleia Geral.
Abraço ao Abel Sousa.

16/1/12 09:36