quinta-feira, janeiro 12, 2012

Uma derrota "aparentemente" saborosa

A surpreendente vitória de Mário Figueiredo nas eleições da Liga Portuguesa de Futebol encerra um facto extremamente curioso. Aconteceu, aparentemente, contra a vontade dos maiores clubes portugueses. Porto, Benfica, Sporting, Vitória e Braga, por exemplo, apoiavam a eleição de António Laranjo, mas a verdade é que se assistiu hoje à eleição de um candidato contra-sistema, o que poderá ser, quanto a mim, uma boa noticia para o futebol português. Por isso, também me parece que esta "derrota" do Vitória (que apoiou o candidato derrotado) se poderá tornar numa boa noticia para o próprio Vitória.

Conhece-se pouco das qualidades de Mário Figueiredo, mas a verdade é que as suas duas grandes bandeiras eleitorais são boas notícias para o futebol português. Desde logo, a negociação dos direitos televisivos em bloco, permitindo assim uma distribuição equitativa das receitas pelos vários clubes, terminando-se com um sistema que cava, a cada ano que passa, maiores diferenças entre os ditos grandes e todos os outros. Depois, o regresso às 18 equipas no campeonato principal. Já se percebeu que a redução em dois clubes, e consequentemente quatro jogos, em nada beneficiou o futebol nacional, traduzindo-se apenas numa redução do número de jogos e consequentemente das receitas. Já que não houve coragem para uma redução bem mais drástica, então retome-se a velha fórmula dos 18 clubes. Espera-se que com isso, se termine de vez com os sorteios condicionados dos últimos anos.

Esta eleição é, também, um ensinamento claro para o futuro. Independentemente, do poder dos maiores clubes, é possível fazer eleger candidatos e aprovar medidas contra a vontade dos mesmos e esse, deve ser também um ensinamento retirado para o Vitória, quando em sede própria prefere, muitas vezes, ir na corrente ao invés de lutar contra medidas que apenas beneficiam os de sempre.

5 Comentários:

cristiano disse...

22 euros para coimbra? será que agora já ninguem se preocupa com o futebol?

13/1/12 12:28
Miguel Salazar disse...

Como já escrevi no FB, fica assim provado que, para além de ser possível lutar contra o poder instalado e corrupto, afinal, é mesmo possível vencê-lo.
A única coisa que eu lamento é que o Vitória esteja do lado errado da barricada...

13/1/12 13:50
SPCova disse...

Não partilho da vossa visão, apesar de concordar que o sistema dos grandes foi derrotado. Mas o cargo de presidente da LPF é hoje eminentemente administrativo. Está esvaziado de funções, fruto da legislação governamental.
Assim, pelo exposto, tenho dúvidas que algo mude de concreto. Nem imagino a LFP a renegociar direitos televisivos sem o acordo dos 3 grandes. Pura e simplesmente não acredito.
Por outro lado, a ideia do alargamento da Liga não me parece vantajoso para os clubes com maiores dificuldades. Quanto maior e melhor o plantel, com maior facilidade se encaram mais jornadas. Quanto maior o campeonato menor será o destaque da Taça da Cerveja, mais dificil será a vida das equipas mais frageis nas Competições Europeias.

13/1/12 15:37
Amadeu disse...

Se o novo presidente da Liga conseguir cumprir o seu programa de campanha, estamos no caminho certo para proporcionar mais justiça, equidade e credibilidade no futebol nacional.

Apenas considero que não pode ser "apenas" esta medida isolada, mas promover a abolição de "limites" patéticos nos sorteio e regressarmos ao sorteio puro do campeonato e dos árbitros, mas que o caminho se faz caminhando...disso não há duvida.

Quanto à opção da nossa direcção na defesa do poder instalado...bem...por essas e por outras é que nos devemos ver livres destes...

Se os 3 não alinharem, que façam clássicos entre eles todos os fins de semana, caro SPCova...

13/1/12 23:01
miguel silva disse...

Não conheço o candidato vencedor, mas discordo por completo com o alargamento do campeonato. Já tivemos 18 equipas na primeira Liga e viu-se que não resulta. Deviam manter 16 equipas e mudar as transições de escalão. Por exemplo: descerem 4 clubes, 3 diretamente e o 13º de disputaria a manutenção em duas mãos com o 4º da segunda Liga. Aumentava a competitividade porque as equipas precisariam de mais pontos para se manterem na primeira. Além disso há clubes na segunda mais competitivos que alguns da primeira. E se o objectivo é ter mais receitas não vai compensar. Campeonato mais longo equivale a pior futebol na segunda volta, logo haverá perda de espetadores e patrocinadores. Vão haver 5, 6, 7 clubes com o objectivo da manutenção...

13/1/12 23:24