segunda-feira, fevereiro 20, 2012

A Voz do Leitor - Raul Rocha

O artigo de opinião que a seguir colocamos foi-nos enviado por email pelo associado Raul Rocha, vice presidente demissionário do Conselho Fiscal do Vitória.



Apelo ao Luís Cirilo, ao Pedro Xavier, aos jovens dos blogues

Em frente por uma candidatura vitoriana

Por Raul Rocha

Dizia-me um amigo, que exerceu funções directivas no Vitória num dos últimos mandatos, em conversa recente: “O próximo Presidente do Vitória vai ficar na história. Ou porque conseguirá salvá-lo da bancarrota ou porque será com ele que um clube histórico, quase centenário, desaparecerá”.
Não foi um choque, porque sabia-o. Mas reforçou-me a consciência de um momento muito grave. Aquele amigo andou por lá recentemente. Avalizou mensalmente empréstimos bancários. Em determinada altura, recusou-se a continuar porque estava a contribuir para um poço sem fundo. O momento a que o Vitória chegou tinha que chegar. Estou muito penalizado por tal ter sucedido num mandato em que integrei os órgãos sociais, concretamente o Conselho Fiscal. Posso ter criado inimizades, ter perdido amigos de décadas, por não ter fechado os olhos, pactuado como é hábito acontecer com os órgãos fiscalizadores de empresas, associações, clubes. Mas sinto uma grande paz na consciência por ter cumprido o meu dever de vitoriano. Alertar, sem quebrar a solidariedade institucional, para uma realidade de gestão incomportável, que estava a pôr em risco a sustentabilidade do clube, sem sequer ter correspondência em valorização desportiva que nos conduzisse a alegrias e triunfos marcantes da história vitoriana.

O Vitória está mal e é bom que se conheça a realidade. Mas essa real não deve afastar os vitorianos, aqueles que efectivamente o sentem e amam para além de projectos pessoais, a retraírem-se. É fundamental que das próximas eleições saia um Presidente, uma Direcção, órgãos sociais, que amem o clube, que queiram, acima de tudo, iniciar um novo ciclo sustentável com vitórias, e não apenas fogachos mediáticos que nos encaminhem para o precipício.
Não estou preocupado que o próximo Presidente seja rico. Sei que o Vitória precisa de dinheiro. Mas também sei que, nas sociedades de hoje, já não há quem vá para os clubes de futebol para deixar lá dinheiro. Isso deixou de suceder há muitos anos.

O Vitória tem um estatuto, uma marca no Futebol português, um futebol ainda barato para os padrões europeus, que é atractivo para os investidores. Estou perfeitamente convencido que um bom vitoriano, que conheça e ame o clube, que conheça a gestão desportiva, e não a têxtil, a metalo-mecânica, ou a construção civil, será capaz, depois de eleito, de atrair investimentos capazes de, em parceria, ganharem dinheiro com o Vitória, rentabilizarem os valores investidos e retomarem a sustentabilidade do clube.

O Vitória é dos clubes mais atractivos para investimento no Futebol português. Se o Beira Mar e o Setúbal conseguem atrair investidores do Canadá ou de Angola, será possível o mesmo suceder.
Por isso, apelo ao Luís Cirilo, ao Pedro Xavier, mas também aos jovens, que conheço pior, dos blogues vitorianos, que não deixem de se apresentar às próximas eleições. Sei do risco que é apresentar uma candidatura sem retaguarda financeira. Compreendo a indecisão. Mas a situação é dramática e o Vitória só se poderá salvar com a vossa candidatura.

Temos que ter para votar, em 31 de Março, uma candidatura vitoriana.
Não podemos deixar cair o clube em aventuras, em protagonistas ávidos de divulgação mediática, que só se sentiram vitorianos quando lhes acenaram com a presidência.
À hora a que escrevo, no início da semana decisiva, sinto uma grande angústia por não ver avançar nenhuma candidatura vitoriana. Daí este meu apelo.

Votarei no Cirilo, no Pedro Xavier, no Carlos Ribeiro, no Ricardo Pimenta Machado, no Fernando Meira. Mas não me obriguem a ter de ir inutilizar o voto por falta de alternativas.

10 Comentários:

Afonso disse...

"Posso ter criado inimizades, ter perdido amigos de décadas, por não ter fechado os olhos, pactuado como é hábito acontecer com os órgãos fiscalizadores de empresas, associações, clubes."

Esta frase é simplesmente vergonhosa.

Mais uma vez este senhor se coloca numa posição de moço de recados a apelar á mobilização a favor do "compadrio instituicional".

Haja coragem de arrumar com este tipo de pensamento.

20/2/12 15:24
Joaquim José Sousa disse...

Tenho o maior respeito pelo Eng. Raul Rocha. Porém,apelar ao voto em candidatos, que não têm assegurados apoios financeiros, tendo em conta a gravíssima situação que atravessa a instituição Vitória, parece-me de uma irresponsabilidade atroz. Foi por ter consciência de que não tinha apoios financeiros, que o Sr. Luís Freitas, não levou a sua candidatura até ao fim. Para grande pena minha, diga-se em abono da verdade! E demonstrou o seu vitorianismo e enorme sentido de responsabilidade.
Só mais uma achega, àquilo que foi comunicado pelo Eng. Raul Rocha:
- Se para o caro Engenheiro,está em risco a sobrevivência do clube e simultaneamente, não se lhe afigura preponderante, um candidato avançar para eleições, sem dispor de uma rectaguarda confortável do ponto de vista económico, qual a razão de terem sido propalados vários nomes, inclusive de jovens da blogosfera vitoriana, e ter sido omitido o nome daquele que continua a ser o único com um programa eleitoral e uma estratégia perfeitamente definida para o Vitória? Falo obviamente de Luís Freitas!
Com os melhores cumprimentos,

José Sousa

20/2/12 16:02
Amadeu disse...

Para inicio de abordagem, achei vergonhoso, alguém que teve o comportamento inqualificável que este patenteou na ultima AG, vir agora apelar ao que quer que fosse aos vitorianos.

A frase que o Afonso sublinhou faz-me pensar como foi possivel termos admitido nas fileiras diretivas do VSC alguém assim...

Que vergonha de clube nos tornámos.

Milo, Paulo Pereira, L.Baltar, Vasco Santos, João Cardoso, Pedro Xavier, João Martins,...foram os principais coveiros do Vitória e nos fizeram passar vergonhas imperdoáveis.

Depois há os co-responsáveis ex-vice presidentes do VSC deste e do anterior mandato e os todos os orgãos sociais ainda não citados, no qual se inclui esta personagem(Conselho Vitoriano, Conselho Fiscal, Conselho de Jurisdição).

Há ainda os infelizes e tristes defensores do caos gestionário como António Xavier, apenas atenuado pelo excesso de experiências vividas...

Parabéns ao blogue (imperdoável e a destempo)!

20/2/12 16:03
Rui Rodrigues disse...

Creio tratar-se de um apelo sensato.
E cuja angustia é fácil de perceber.
A de Raul Rocha e a de muitos vitorianos.
Que com Luís Cirilo e Pedro Xavier em silencio seguramente face à dificuldade em angariarem apoios financeiros sólidos veêm com horror puro a hipótese Pinto Brasil/Dias Pereira.
Acho que é tempo de os verdadeiros vitorianos se unirem.
E de LC e PX integrarem a mesma candidatura porque o tempo nao está para divisôes e o risco de o Vitória desaparecer é muito grande.

20/2/12 17:30
Rui Rodrigues disse...

Creio tratar-se de um apelo sensato.
E cuja angustia é fácil de perceber.
A de Raul Rocha e a de muitos vitorianos.
Que com Luís Cirilo e Pedro Xavier em silencio seguramente face à dificuldade em angariarem apoios financeiros sólidos veêm com horror puro a hipótese Pinto Brasil/Dias Pereira.
Acho que é tempo de os verdadeiros vitorianos se unirem.
E de LC e PX integrarem a mesma candidatura porque o tempo nao está para divisôes e o risco de o Vitória desaparecer é muito grande.

20/2/12 17:30
vitoriasempre disse...

Mas quem dos candidatos tem esses requisitos todos? Ama o clube, percebe de gestão desportiva, irá por os interesses do VITÓRIA a frente dos seus, que não deixe que ninguém atropele o nosso clube e fala dele como bem entender, ambicioso, competente. precisava-mos de um Pinto da Costa, Vitória sempre fiel.

20/2/12 17:38
miguel silva disse...

Eu discordo em absoluto de que o Vitória possa desaparecer por causa do passivo. É absurdo. Um clube como o Vitória tem capacidade para resolver o problema. Não é um clube qualquer. É um dos mais atractivos de Portugal e pode angariar investidores SE TIVER BOA GESTÃO. De facto estou farto de ver 'novos ricos' em cargos de gestão. Não pelas habilitações, mas pelo vício de desbaratar dinheiro ou de usar fundos para troca de favores sem pensar no futuro nem nas consequências para o clube.
Outra questão é se o Sr Raul Rocha fez parte do anterior Conselho Fiscal há muito tempo que sabia da situação, mas só agora que estamos perto de eleições, qual profeta da catástrofe, assusta os sócios com assuntos que eram da sua competência...? Se confia no seu profissionalismo não precisa de badalar por aqui a sua honestidade. Para mim todos os que estiveram e estão na direcção são responsáveis pela situação: uns porque a criaram outros porque pactuaram com as mentiras dos últimos anos.
O que eu acho se deve pedir aos sócios é que sejam honestos consigo próprios e que votem no que acreditam ser a melhor solução para o clube, independentemente dos medos da mudança e das opções políticas: Primeiro, a mudança faz parte do crescimento do clube quer queiram quer não. Segundo, nunca se deve permitir que partidos políticos, ou outros clubes, tenham influência nas decisões da direcção. O que precisamos é de simples bom-senso, não de profetas da catástrofe que é a pior forma de controlo de opinião que existe.

Se o Vitória já fosse uma SAD, os investidores nunca teriam deixado o clube chegar á situação que chegou, porque as contas seriam obrigatoriamente apresentadas em AG e escrutinadas pelos accionistas, mas quase todos têm pavor à SAD... este modelo pode não resolver o problema do passivo, como se sabe, mas resolve o problema da transparência. Se o Vitória estivesse dependente de uma SAD, Emílio Macedo já teria perdido a confiança dos accionistas no primeiro mandato porque não cumpriu o que prometeu nem ganhou nada! No caso presente até pode ter vendido património para pagar comissões - porque não sabemos o que andou a fazer nos últimos anos. Podemos inventar o que quisermos porque pura e simplesmente não se sabe o que aconteceu ao dinheiro!

O clube pode continuar a ser uma colectividade, mas neste momento já não acredito que se resolva o que quer que seja. O mercado não perdoa, e os clubes têm de ser lucrativos para atraírem investidores - é óbvio que ninguém patrocina um clube que não ganha jogos ou que não tem boa gestão e reputação. O que falta é um pouco de imaginação. Se entrarmos em pânico é que está tudo perdido.

21/2/12 00:42
JMSM disse...

Carlos

Democraticidade e livre opinião é algo bom e sensato. Dar voz a alguém de carácter tão volátil e camaleónico já é bem diferente. Compreenderás, pois, que deixe o aviso: o Eng.º Raúl Rocha tem mais que duas caras, e não sabe distinguir independência orgânica de lealdade institucional, pelo que o seu apelo à candidatura conjunta é mais um fait divers típico de uma geração que sempre viveu de golpes de teatro. E é contra isso que a nossa geração supostamente tem andado a bater-se.
Aliás, se Pinto Brasil já é candidato anunciado, não é inocente que ele seja descartado da proposta de Raul Rocha. Resumidamente, esta proposta não é mais do mesmo. É pior. É acreditar que estamos todos no infantário e basta estarmos vestidos com batas
iguais para querermos e sabermos todos brincar ao mesmo jogo. É nesse registo que essa gente anda. Estão tão habituados a serem tidos e achados para tudo que não percebem que o seu tempo já expirou há muito.
Abraço.
Guisnake - JM

21/2/12 03:04
jotafundador disse...

Raul Rocha já é passado e pelo silêncio que teve ate aqui, não deixou de pactuar com os demais directivos do clube, e só isso bastava para agora ter uma oportunidade de ouro para estar calado no pós Milo.

21/2/12 03:41
Silvestre Monteiro disse...

Ó vitoriasempre:
Nós já temos o nosso Pinto da Costa, só que este é sério, logo não tem interesse para o futebol do Vitória. Mas há alguma dúvida de que Luís Freitas é um Homem de coragem,determinação, ambicioso, mas já sei, não tem dinheiro,é um teso. Não sei se ele é teso em dinheiro, mas em coragem é de certeza muito teso.E por falar no Pinto da Costa, que dinheiro tinha ele quando chegou a presidente do Porto? Até o pequeno negócio que tinha foi à falência. Mas Luís Freitas não interessa nada à podre elite vimaranense e vitoriana. E assim continuaremos felizes e contentes, umas vezes a atingir o quinto lugar e outras vezes a lutarmos para não descer de divisão.
O pior cego é aquele que não quer ver.
Vitoria até morrer.

Silvestre Monteiro

21/2/12 13:13