quinta-feira, março 01, 2012

A angústia de um vitoriano na hora de votar


As campanhas eleitorais servem para isto. Mas a que hoje começa terá que ser bastante esclarecedora para garantir um voto informado. Pelo menos é a minha posição pessoal, porque, a um mês das eleições mais importantes da história do Vitória, nenhuma das propostas reúne argumentos suficientes para me convencer a apostar nela.

Estava convencido de que seria Luís Cirilo o próximo presidente do Vitória. E estava convencido a votar nele, caso fosse candidato. Cirilo reunia as condições que eu julgo serem ideias para o momento actual do Vitória. Desde logo é vitoriano e não se lhe conhecessem outras simpatias. Depois, é um homem do futebol, que conhece os meandros como é necessário – basta saber a forma como funciona o mundo da bola neste país.

Além disso, Cirilo tinha tido uma posição crítica da última direcção, mostrando um distanciamento e uma independência que faziam acreditar num rumo diferente para o clube. E estou certo de que o Vitória precisa de um corte com o passado. É preciso conhecer onde desapareceu cada cêntimo, não só por uma questão de justiça (os vitorianos merecem conhecer onde se gastou o dinheiro do clube), mas também para que se possa perceber qual o ponto de partida para a necessária reconstrução.

Infelizmente, Cirilo não quis avançar sozinho. E juntou-se a Júlio Mendes, que era o elemento mais credível e competente da direcção anterior. Tenho respeito e estima por ambos, mas isso não chega para garantir o meu apoio à sua eleição. Por dois motivos essenciais. O primeiro cruza-se com o que expus atrás. O Vitória precisa de um corte com o passado e não creio que possamos contar com isso da parte de Júlio Mendes. Não é tanto por ter feito parte da direcção anterior, esse “acerto de contas” não se coaduna com o perfil conciliador do engenheiro que liderou o marketing do Vitória. E que adoptou na constituição da sua lista.

A segunda divergência com este projecto é talvez a mais difícil de ultrapassar. Sou, por princípio, contra a constituição de uma Sociedade Anónima Desportiva para o Vitória. As características do clube são absolutamente contrárias a este modelo de gestão. O Vitória é um clube de sócios, um clube com identidade muito marcada e não pode abdicar disso. Vejo o Vitória um pouco à semelhança  do Barcelona. Que não precisa de ser SAD para ser um clube de topo.

A alternativa nestas eleições volta a ser Pinto Brasil. A credibilidade do seu projecto desportivo fez-se, mas últimas eleições, da presença de gente competente, a começar por Luís Cirilo. Sem ele e os que o acompanhavam, esvai-se grande parte do contributo que podia Brasil dar ao Vitória. E é difícil dar o benefício da dúvida a um neo-vitioriano, que não vemos nos jogos nem nas Assembleias Gerais e que, ainda por cima, tem um défice comunicacional que nos podia por a ser alvo de comentários…pelas piores razões.

Fica assim difícil escolher. Entre uma alternativa que não a chega a ser e um projecto que, tendo gente de inegável competência e na qual confio, apresenta uma proposta base em que não me revejo. A boa notícia é que ainda falta um mês para a decisão.

Por Samuel Silva

15 Comentários:

Zé Carlos Freitas disse...

o cirilo deixou de criticar a antiga direcçao porque foi chamado para voltar ao banco, porque este entretanto mudou de finibanco para montepio, o pior disto tudo é que foi destacado para lisboa e como nao lhe agradou a ideia foi pedir ao sr joao cardoso e ao milinho para que estes mudassem a sua deslocalização lisboa para guimaraes e assim foi, veio parar ao montepio de covas, à cave arrumar folhas, é triste mas é verdade.

1/3/12 00:33
DMFS disse...

Pois é, meu caro Samuel! Mas eu, que também era contrário á criação de uma SAD (até para nos podermos continuar a vangloriar de ser o maior clube portugês), actualmente não vejo outra solução possível. Reconheço que esta solução é uma fuga para a frente, mas se queremos continuar a lutar por algo que não seja a permanência na 1ª.liga, acho que não teremos outra alternativa. Saudações vitorianas. VIVA O VITORIA!

1/3/12 08:18
J.silva disse...

digo desde ja que de gestao e economia percebo pouco...

gostaria que me dessem varias soluçoes para o vitoria. fala se mt na SAD. porque sim? porque nao?

1/3/12 09:13
vitor...iano disse...

Angústia?? Eu chamo-lhe tormento!

Mas ao contrário do que se diz por aí, o avanço para a SAD numa altura destas não é de facto a melhor solução. Acham que algum investidor não vai querer mandar na SAD sabendo que o clube está com as "calças na mão". O clube seria entregue por tuta e meia a essas sanguessugas do futebol.

O nosso vitoria, caso o caminho seja a SAD, vai perder toda a sua identidade.

1/3/12 14:08
miguel silva disse...

J. silva, a solução da SAD é uma forma de angariar investidores, trata-se de arranjar alguém que invista no clube imediatamente com a criação da sociedade, acho eu...? Os investidores interessados terão de comprar à SAD a sua representação na forma de accões segundo um valor estipulado, a partir do capital social e do mercado.
O Vitória passaria a estar dependente de uma empresa, em que o clube, em princípio, seria o accionista maioritário.
O que assusta os vitorianos é o clube perder a maioria da SAD - maioria que normalmente está entregue ao clube, mas que pode ser alterada em assembleia de accionistas, por exemplo em caso de falência - levando a que pessoas ou empresas comprem a maioria, passando a ser os proprietários do clube, como aconteceu ao Chelsea e a muitos outros. No limite o proprietário pode até mudar as cores e os símbolos do clube para o que bem entender...
Aqui está um triste exemplo:

http://redbulls.com/soccer/salzburg/en/home.html

O SV Austria Salzburg foi fundado em 1933 tinha um emblema próprio e equipava de roxo, foi comprado pela Red Bull em 2005 e agora chama-se FC Red Bull Salzburg e tem como emblema o logotipo da red bull e as cores do equipamento são as cores da marca...

Eu apesar de tudo sou a favor da SAD, desde que fique estipulado que o clube terá a maioria accionista e direito de veto na assembleia...

1/3/12 15:57
José Silva disse...

Deixo apenas umas notas em relação às SAD's.

____________________________________


1 —
a participação directa do clube fundador no capital social não poderá ser, a todo o tempo, inferior a 15% nem superior a 40% do respectivo montante.


_____________________________________


Artigo 4.o

Irreversibilidade

O clube desportivo que tiver optado por constituir
uma sociedade desportiva ou por personalizar a sua
equipa profissional não pode voltar a participar nas competições desportivas de carácter profissional a não ser
sob este novo estatuto jurídico

_______________________________________


Segundo o que me informaram, estas regras ainda são as que estão em vigor segundo a legislação Portuguesa.

Num clube com o Volume de receitas como o VSC, 40% é muito pouco, principalmente se o clube se quiser proteger para alturas em que os investidores "desaparecem".

1/3/12 17:26
miguel silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
miguel silva disse...

O clube pode ter uma participação superior a 50% do capital social, de forma indirecta, através de uma sociedade gestora.
E tem direito de veto sobre determinadas deliberações da assembleia-geral.

1/3/12 18:54
miguel silva disse...

Ainda em relação à SAD, os estatutos podem definir dentro dos limites da lei, como será organizada e com funcionará. É isso que espero ver esclarecido na campanha por Júlio Mendes e Luís Cirilo.
A candidatura de Pinto Brasil para já não promete nada...

1/3/12 19:09
miguel silva disse...

Acho que este é o momento para os sócios se informarem, e discutirem a mudança de enquadramento do clube para um modelo que tenha como objectivo a rentabilidade e o sucesso. Não podemos ficar ausentes até ao dia das eleições, e depois votar com base no medo e na ignorância...
É agora que devemos mostrar a qualidade da nossa massa associativa: vamos apoiar o clube pela participação, quer nas eleições quer nas AGs. Culpar o outros sócios por não terem estado em AGs anteriores ou não terem ido a este ou aquele jogo, é afastar ainda mais a massa associativa do clube.

1/3/12 19:39
Luís Freitas disse...

Lanço um repto ao Carlos Ribeiro, ao Luís Fernandes, ao Vasco Rodrigues, ao Agostinho, e a todos os demais administradores da blogosfera vitoriana, para que possam promover um encontro de vitorianos, tão breve quanto possível, para que em conjunto possamos discutir e concluir sobre qual o modelo de gestão mais adequado para o Vitória Sport Clube. O nosso clube, não se esgota, como é óbvio, nos dois candidatos à presidência do Vitória Sport Clube!
Porque o Vitória, somos todos nós, associados do clube, é fundamental, nesta hora de decisões, provavevelmente irreversíveis na história desta grandiosa instituição, estabelecer uma forma de interacção com os associados. Queiram vocês aceitar o meu repto, e terei todo o gosto em dar o meu sempre determinado e convicto contributo.
VIVA O VITÓRIA SPORT CLUBE!

Luís Freitas
Sócio 17176

2/3/12 09:12
Ricardo disse...

Meus caros, a legislação relativa ás Sociedades Desportivas, foi proposto em conselho de ministros, várias alterações á legislação actual em Setembro de 2011. Ao ser aprovado em meados deste ano(que é o que se prevê) para a época de 2012/2013 alguns aspectos irão mudar. Aconselho a lerem essa mesma proposta. Espero que a direcção eleita tenha isso em conta, caso queiram fazer mesmo uma SAD. Mas nós, sócios, queremos ficar esclarecidos (eu pelo menos) em dois pontos essenciais: Que activos passarão para a SAD? (jogadores, património, que activos??). VAI SER FEITA UMA sad SÓ PARA O FUTEBOL OU TAMBÉM ENGLOBA AS DEMAIS MODALIDADES??? Isso queria ver esclarecido o quanto antes. A ver vamos. Cumprimentos. José Ricardo Pliteiro da Silva, Sócio Nº 3707.

2/3/12 10:40
J.silva disse...

se nao houver um determinado numero de votos as eleiçoes podem ser repetidas? isto dando tempo para novos candidatos?

2/3/12 11:56
vidal disse...

Como adepto penso que a SAD não seja uma boa solução. Se assim for os sócios perdem todo o direito de participarem nas principais decisões tomadas pela direcção, e passamos a ser meros espectadores, deixando assim toda a responsabilidade a um homem que nem sequer é eleito por nós, gerir o clube como bem entender.
Posso aqui citar o Relatório Fisas, recentemente votado no Parlamento Europeu, que refere no artigo 45º - “onde a transparência e a responsabilização democrática nos clubes desportivos pode ser melhorada através do envolvimento dos adeptos na propriedade e nas estruturas de gestão dos seus clubes.”
Ou o artigo 238º que indica: “ Requer aos Estados Membros e às entidades de gestão desportiva para estimular activamente o papel social e democrático dos adeptos . . . através da promoção do seu envolvimento na propriedade dos sues clubes ou no modelo de gestão como importante parte interessada…”
E de referir que no Decreto-Lei n.º 67/97 que regula as sociedades, perante o artigo 4.º (Irreversibilidade) - um clube que constituía uma sociedade desportiva e mais tarde considerar que esse modelo não lhe serve e pretender abandoná-lo, deixará de poder competir num nível elevado, reservando-se apenas ao desporto amador, não federado.
Penso que a lista de João Mendes não é solução mas é mais do mesmo.

2/3/12 13:07
luis cirilo disse...

Nem vou perder tempo a desmentir todas as mentiras do sr josé carlos freitas.
Apenas lamento que este blogue dê guarida a este tipo de comentários.
De facto, dois anos depois, há gente para quem volta a valer tudo!

2/3/12 18:54