quinta-feira, abril 26, 2012

Precisamos de energia

Por excesso de afazeres profissionais, não escrevi a minha última crónica no VIMARANES. Deveria ter sido publicada nas vésperas das eleições do Vitória, mas confesso que não seria muito diferente da que escrevi um mês antes, com a campanha eleitoral a começar.

Os argumentos relativamente à SAD não me conseguiram convencer. Especialmente porque foram, tal como critiquei por antecipação, feitos pela negativa. “A SAD ou o caos”, como dizia. E sou frontalmente contra decisões de faca apontada ao pescoço. Porém, face à dimensão dos problemas que o clube tem pela frente, esta é uma discussão que não será feita tão cedo.

Seja como for, o resultado eleitoral não surpreende e é o mais lógico: Júlio Mendes encabeçava aquele que era verdadeiramente o único projecto para o clube. Os primeiros dias parecem-me positivos: os nomes das esmagadora maioria dos directores parecem-se acertados; a intenção de manter Rui Vitória é positiva; esperar pelo final da época para anunciar o director-desportivo é um bom principio.

A verdade é que a campanha foi morna e o triunfo eleitoral não teve o efeito de chicotada psicológica de que o Vitória precisa. Este é, na minha opinião, o problema de fundo do clube neste momento: falta energia. Converso com vitorianos e encontro-os descrentes. Apreensivos em relação ao futuro. Como se escapasse à racionalidade a solução para os problemas que temos pela frente.

A questão dos salários arrasta-se, apesar do primeiro penso sobre a ferida – que é porém mais profunda e alastra-se às modalidades. Um treino boicotado e jogadores que se recusam a alinhar numa partida vital não eram nada a que estivéssemos habituados no Vitória. E isso rouba alguma da crença que os vitorianos podiam ter ganho num momento que devia ser de mudança de ciclo.

Mas é uma realidade que é preciso ser enfrentada. A questão financeira é a primeira a enfrentar pela nova direcção. A região e o país estão sem dinheiro e são necessários investimentos vindos de fora. Que terão que ser feitos sem SAD, porque o processo demorará ainda alguns largos meses e o dinheiro fresco é uma necessidade de curto prazo. Por isso, mantenho a minha apreensão, como milhares de vitorianos.

A falta de energia que afecta os adeptos do clube – habitualmente fervorosos – teve especial reflexo no último jogo em casa, frente ao Leiria. Bancadas despidas e um cenário pouco habitual, mesmo em pré-temporada. É preciso recuperar a comunhão dos adeptos em relação à equipa. Porque, racionalmente, esta é uma boa época do Vitória: com todos os constrangimentos, vai cumprir os seus objectivos mínimos, ao que tudo indica.

E ganhou algumas coisas importantes. Desde logo um treinador que pela competência, carisma – e pelo nome, vá! – merece ser feliz naquele banco durante longos anos. Com ele ao leme e corrigidos alguns erros da planificação da época passada (salários excessivos, défice de cobertura de algumas posições, plantel pensado por outro técnico), podem proporcionar uma boa época no próximo ano. Mas, como esta temporada demonstra, não basta isso.

Precisamos pois de um discurso galvanizador, sem deixar de ser realista. Precisamos que voltem a acender a paixão. Precisamos de voltar a acreditar que o futuro do Vitória é infinitamente mais brilhante do que o passado recente e este presente cinzento.

1 Comentários:

Alberto Leite disse...

Por estes dias li uma frase interessante que acenta perfeitamente no que estamos a passar no nosso clube.

"Olhar para o passado, é estar distraidos com o futuro"

26/4/12 18:39