quinta-feira, maio 24, 2012

Realismo e o seu contrário



Uff! É com esta espécie de suspiro de alívio que quero começar este texto. O Vitória inscreveu-me in extremis nas provas profissionais do próximo ano, conseguindo contornar a montanha de problemas em que a anterior direcção deixou o clube mergulhado. Os primeiros tempos da nova equipa directiva têm mostrado acerto e realismo, mas há também sinais contrários.

A regularização da situação salarial do plantel profissional era o tema mais premente nas mãos da direcção liderada por Júlio Mendes. Com as dificuldades que se conhecem, tem sido capaz de resolver o problema, o que era obrigatório para viabilizar o futuro imediato do Vitória. E isso é obviamente um bom sinal. O que me parece também fundamental é que na próxima oportunidade – a próxima Assembleia-Geral – a direcção explique de onde vem o dinheiro e que tipo de esforço ou engenharia foi pedida ao clube para desatar o nó que tinha sobre a garganta. Tenho sido desde sempre um defensor da completa transparência na gestão do Vitória e só dessa forma seremos capazes de avaliar com que custos foi feita esta operação de regularização das dívidas aos jogadores.

As primeiras decisões desportivas da nova liderança também são genericamente do meu agrado. As rescisões contratuais com jogadores excessivamente caros, o fim de negócios ruinosos como o de Molina e a limpeza de elementos perturbadores como Santana só pode ser um bom sinal. Se a isto juntarmos uma atenção aos produtos da formação e aos jogadores emprestados, o Vitória vai no caminho certo. Na verdade, o único, atendendo à dificuldade por que passa o clube e à escassez de recursos para atacar o mercado.

Contrariamente ao que tem sido a generalidade das opiniões que ouvi, entendo que a escolha de Flávio Meireles para director-desportivo é uma solução inteligente. Havia dois caminhos possíveis na escolha desta figura: ou se profissionaliza o cargo e se contratam os melhores disponíveis (e para isso não há dinheiro), ou se aposta numa figura carismática. A escolha foi a segunda hipótese. E nesse sentido não havia ninguém melhor colocado do que Meireles, símbolo incontestado e exemplo da “cantera” e para a “cantera”.

O que não se entende é que José Pereira, a quem pouco ou nada de relevante conhecemos nos anos que levava como director-desportivo, se mantenha no Vitória. Deixá-lo cumprir contrato era um mal necessário. Agora, prolongar-lhe o vínculo por mais um ano e criar para si a figura de assessor do presidente – uma inovação vitoriana, suponho – é incompreensível e um sinal contrário a toda a política e contenção e realismo em que o clube parece estar empenhado.

Ainda assim, as questões mais imediatas foram resolvidos com acerto pela direcção actual. Falta, porém, o mais complicado: construir uma equipa competitiva para a próxima temporada. As saídas serão importantes, pela necessidade de encaixe, e a capacidade para ir ao mercado antecipa-se reduzida. Que plantel teremos no próximo ano? Essa é a dúvida de todos os vitorianos. O realismo e a ambição são compatíveis, mas fazê-lo é uma arte difícil e o grande desafio que Júlio Mendes terá pela frente no Vitória.

3 Comentários:

vitoriadofuturo disse...

Só uma correcção. O Flávio não é director desportivo mas sim director para o futebol que são funções bem distintas. O cargo de director desportivo foi extinto no vitória, na minha opinião mt bem.

24/5/12 00:36
Ricardo Silva disse...

Mais do mesmo,ou seja,agora queremos saber de onde vem o dinheiro,alias exigimos saber!Sim,porque nos andamos a ser comidos este tempo todo por uma direção de mercenários e amadores e agora nao damos hipóteses a quem ca esta à um mes,de respirar!Sim,porque o importante não é como vamos sair desta situação...O importante é com quem vamos sair desta situação!!!!Continuamos a comer a palha que os jornais e televisão nos dão,continua o ataque pessoal que não leva a lado nenhum... Não conheço a pessoa Jose Pereira mas reconheço que é um homem do futebol ha muitos anos,como tal as pessoas da direção vêm nele alguem que pode ser util...Não estou aqui a ser advogado dedefesa de ninguem,muito pelo contrario,apenas quero é defender o meu clube,ja me chega ter de levar com notícias dos abutres do costume (imprensa nacional a mando de todo o tipo de interesses) e ainda tenho que ler certos ódios mesquinhos que nao levam a lado nenhum,apenas criam mais divisão nos nossos adeptos!A hora é de união e acreditem,mais que nunca temos de estar unidos,mais que nunca temos de demonstrar e dizer a todo o país que realmente somos únicos e especiais!!!Abraço a todos os VITORIANOS desde st tirso.

24/5/12 12:10
3990 disse...

Sr. Ricardo Silva, por muito que concorde com algumas das suas palavras, esqueça as palavras que somos únicos e especiais. Deixe as direcçoes dizerem essas tretas, que farto de pensar nisso tou eu.. Precisamos de títulos e lágrimas de alegria e não SERMOS ESPECIAIS! Abraço e desculpe, com todo o respeito a um adepto do VITORIA de uma cidade de alguns Vitorianos.

25/5/12 02:26