quinta-feira, junho 14, 2012

Ilusões



Ainda que no intimo de cada um esteja sempre presente a ideia que as coisas vão melhorar, que a viragem é possível, que a esperança é a última a morrer, a verdade é que à semelhança do que está a acontecer na nossa sociedade, fustigada por um futuro de incertezas causada pelo descrédito da classe politica, também o futebol transpira um sentimento de certa forma equivalente. Se não vejamos, a sociedade atual, nomeadamente a portuguesa vive num constante sobressalto, sem saber o dia de amanhã.

Utiliza-se linguagem por vezes tão rebuscada e metafórica que o cidadão comum, onde eu naturalmente me incluo, fica sem saber em concreto o que foi dito e o alcance de tal pensamento. Uma coisa as pessoas parece já se habituaram, é que apesar do rodeio linguístico feito pelos protagonistas, coisa boa não é. Ora, no futebol esse descrédito também paira no ar. Se tomarmos como exemplo numa primeira instância a nossa seleção, até porque estamos em pleno Euro 2012, verificamos que, apesar de no intimo de cada um termos fé de podemos chegar muito longe na competição, até mesmo conquistar o caneco, a verdade é que ninguém acredita. Bastas estarmos atentos às conversas populares, às opiniões dos comentadores e a declarações de ex-jogadores e treinadores para percebermos isso mesmo.

No Vitória estou com a ideia de que a desilusão e o descrédito nesta altura também dominam as mentes vitorianas, provavelmente escaldados de tudo por quanto o clube tem passado, pelos sucessivos erros na escolha das direções e pelo arrombo que o clube tem levado a todos os níveis (desportivo, económico e patrimonial). E, não me parece que a venda de cadeiras a ritmo superior ao do último ano e a aprovação dos pontos mais polémicos na pretérita assembleia geral, com cerca de 400 associados presentes, sejam motivos para alterar o meu pensamento inicial.

É bom que não haja ilusões. O lema de governar sob a égide do “ ou é assim ou o Vitória acaba” , “ou é assim ou não há outra forma de o fazer” não faz muito o meu género, mas se calhar foi a forma encontrada e mais fácil de vergar uma massa associativa fragilizada. Se calhar será até a única forma de governar nesta altura. Não quero com isto dizer que não concordo com o que está a ser feito, nomeadamente, povoar o clube de gente da casa, que sente o Vitória, recuperar atletas espalhados por outros clubes e que por cá fizeram a sua formação ou dar oportunidade aqueles que estão cá e têm grande margem de progressão. Muito pelo contrário, concordo com o conteúdo já tenho sérias dúvidas quanto ao método. Estarão os sócios do Vitória preparados para uma coisa chamada “paciência”?

É que vai ser precisa em quantidades industrias, basta pensarmos qual é a principal bandeira desta direção, a criação da SAD, que devido ao PEC aplicado ao clube terá pelo menos de ficar em “banho maria”, durante os próximos oito anos. Fácil será perceber, que não poderão haver grandes investimentos no futebol profissional. Não vai ser fácil, mas espero consigamos manter a dignidade do emblema que defendemos.

Por Ricardo Lopes

2 Comentários:

3990 disse...

Penso que falou muito bem Ricardo Lopes, estou de acordo em todos os pontos de vista! Acredito que o Vitória com estas ideias pode chegar longe! Para mim o que falta já à alguns anos, e estou sempre a falar disto quando intervenho neste blog, é a liderança da Direcção nos jogadores. Eles têm que saber quem manda, e tentarem estar sempre debaixo de olho nos jogadores! Se calhar precisamos de um género Paulo Pereira e Cristóvão, para vermos se os jogadores não vêm para o Vitória como se tivessem de férias. Temos condições profissionais, mas jogadores que pensam que tão nas distritais. Com a natureza que vemos à nossa volta no Complexo, só deveria dar vontade de correr para treinar bem, e não fazer que se treina, que é o que mais vejo, basta assistir a um treino do Vitória! Tem de deixar de ser o pagode este clube!abraço para os Vitorianos e não para os Vitorinos!

14/6/12 17:12
José Silva disse...

Com todo o respeito, como associado do VSC devo comentar a noticia que hoje publicada no jornal OJogo, aquela que diz respeito à ida de 6 (!!!!!!) jogadores jovens do VSC para o clube do regime.


Em primeiro lugar tenho que dizer que não é nada pessoal contra esta direcção ou as pessoas que fazem parte dela, mas como dizem os Estados Unidos "I've beeb burned before". Por isso, apesar de querer acreditar que é uma mentira o que esse jornal escreveu, vou dar a minha opinião.


1º Nunca na vida um clube da dimensão contrataria um jogador se não acreditasse que ele valesse mais do que os ditos 1,2 Milhões.

2º 6 x 1,2 = 7,2

3º Não é preciso ter licenciatura em gestão (e eu conheço alguns bem ignorantes e maus em matemática que terminam o curso através do mérito da cábula) para saber que que é um péssimo negócio, digno de ser alvo de acção criminal por acto de gestão danosa.

4º Se o SLB se sente prejudicado... então que fique com o targino. Não quer? paciência.



Se realmente esta direcção quer ser diferente da anterior, então tem que ser mais séria e mais inteligente.

A concretizar-se o que essa noticia insinua, então é vergonha, ou melhor, um crime.

Espero que haja bom senso, e que a velha desculpa da necessidade não sirva de motivo para sermos enrrabado pelo clube do milhafre mais uma vez.


Como disse no inicio, quero acreditar que não é verdade.


Mais vale apostar num jogador desses na próxima época e no fim vender por mais do que o valor que "devemos" (se bem que eu acho que não devemos nada, o slb arriscou e f...-se, é a vida)

16/6/12 15:42