quinta-feira, novembro 15, 2012

A marca Vitória Sport Club



O Vitória está a atravessar o momento mais conturbado em toda a sua história, lutando estoicamente contra uma herança “pesada” originada pelo desgoverno da antiga direção. As dificuldades financeiras do clube obrigaram a uma restruturação profunda, principalmente no que concerne ao futebol sénior, uma vez que a atual direção, com uma visão ponderada face aos tempos difíceis, não entrou em loucuras no último defeso. No plano desportivo, deu-se um passo atrás para seguramente, no futuro, dar dois em frente. 

Apesar de todas as adversidades, o Vitória continua a ser uma marca respeitada e a sua massa adepta deve continuar a defender o rótulo que intitula o clube de “único”, até porque existem razões que reforcem esse estatuto. 

Ainda recentemente, enquanto desempenhava funções como jornalista desportivo em Trás-os-Montes, presenciei um episódio curioso. Num treino de juvenis do SC Vila Real, no pelado do Campo do Calvário, deparei-me com um atleta vila-realense que fez questão de treinar equipado “à Vitória”. Procurei rapidamente saber o que motivara aquele jovem a vestir a camisola do meu clube do coração, e o que descobri deixou-me visivelmente satisfeito. O atleta em questão, como tem sido apanágio na maioria dos adeptos de futebol do nosso país (infelizmente), dizia-se apoiante de um dos três grandes. No entanto, simpatizava com o Vitória, fruto daquela “diferença” e “exclusividade” que tanto o caracteriza: os adeptos. 

O facto de o D. Afonso Henriques ser o único estádio em Portugal em que os três grandes não conseguem superiorizar-se em termos de adeptos, isso o contagiava, e tal como esse jovem transmontano, tenho a perceção que, no modo geral, os amantes do futebol em Portugal têm a consciência dessa realidade. É uma boa publicidade que passa para fora, sem dúvida! Podemo-nos orgulhar de termos um concelho unido em torno de um clube da terra, que é o nosso Vitória, provando ao país inteiro que os vimaranenses não caiem naquela demagogia desportiva e parola de apoiar um dos três do regime só porque são mais badalados na comunicação social. 

Acredito que, a curto prazo, o Vitória vai “explodir” em termos desportivos e deixará de ser apenas o “rei da simpatia” para voltar a (re)conquistar adeptos fora das “fronteiras” vimaranenses. Quando era mais novo, lembro-me de ver no D. Afonso Henriques sócios e adeptos do Vitória oriundos dos concelhos vizinhos como Fafe, Famalicão, Felgueiras, Póvoa de Lanhoso, até de Cabeceiras de Basto! Havia uma espécie de “Imperialismo Vitoriano” cuja a marca começara a ser valorizada. Por estar muitas vezes ausente de Guimarães desde há vários anos por motivos profissionais, não sei o que resta desse “imperialismo”, mas as informações que me chegam não são nada animadoras. 

O Vitória perdeu o fulgor de outrora por culpa da visão redutora e negligente de quem o geriu nas últimas épocas, arrastando o clube para uma crise financeira sem precedentes. A ex-direcção, presidida por Emílio Macedo, fez viver o clube de forma faustosamente exuberante com encargos elevados, para custear os “principescos” salários dos jogadores (muitos deles de qualidade duvidosa) com números incomportáveis para a dimensão do clube que já vivia com imensas dificuldades e sem forma de sustentar esse “despesismo aburguesado”. 

 Felizmente, os vitorianos já se livraram do “empecilho” que quase sentenciou à morte o nosso clube, e a partir de agora, o caminho para a glória começa a ser trilhado graças ao arrojo da nova direção. Uma "chapelada" para o presidente Júlio Mendes e ao seu “vice” Luís Cirilo que conseguem ressuscitar o Vitória, o nosso grande Vitória que esteve nos Cuidados Intensivos e ligado às máquinas, mas surge agora renascido, num projeto sustentado e alicerçado também na inevitável formação. Uma formação que, uma boa parte dela, dá cartas na briosa equipa B, ocupando os lugares tranquilos da Segunda Liga com um plantel maioritariamente constituído pela “prata da casa”. As bases para o sucesso estão, aos poucos, a serem lançadas e o futuro que preconizo para o Vitória pode muito perfeitamente ser risonho. 

Por Henrique Daniel Silva

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