quarta-feira, fevereiro 13, 2013

A vitória da impunidade



Pena que o sismo, pelos vistos hoje sentido, não tenha tido epicentro nos principais organismos que tutelam o futebol português de modo a abalar de modo profundo com as suas estruturas caducas e proteccionistas dos de sempre.

Esta quarta-feira, assistiu-se a um triunfo vergonhoso da impunidade. Percebeu-se de modo claro que as leis ou o cumprimento das mesmas continuam a ser moldadas consoante a cor dos equipamentos. Continua a ultrapassar-se todos os limites da decência, deixando claro que uns são filhos da mãe e outros são filhos da puta. Não há que ter medo das palavras. 

Há muito que se chafurda na lama no futebol português, ao mesmo tempo que se pede adeptos nos estádios. Há muito que se trata de modo diferenciado determinados clubes ao mesmo tempo que se pede tolerância aos adeptos dos demais.

Ao validar a participação numa competição depois da utilização irregular de jogadores a um clube, ao vermos um jogador punido apenas com repreensão (!) quando puxou a camisola a um árbitro - sim, o jogo de castigo com que Cardozo foi punido diz respeito apenas à agressão ao jogador do Nacional -, ou ao assistirmos à multa de um outro clube no valor de 4980 euros depois dos adeptos dos mesmos terem espalhado o pânico nas bancadas obrigando a que os adeptos do adversário se refugiassem atrás de uma baliza (Braga-Paços), já depois de há 15 dias terem impedido adeptos de um outro clube (Braga B-Belenenses), percebemos quão putrefacto está o futebol português. 

Os jogadores dos outros clubes, mal expulsos (Alex), levam também um jogo de suspensão; os adeptos dos clubes agredidos (Paços de Ferreira) pagam ainda 2500 euros de multa para aprenderem a dar a outra face; e outros pagam pelo comportamento incorrecto dos adeptos num jogo (em que nenhum adepto adversário foi brutalmente agredido) mais do que toda a receita angariada nesse mesmo encontro (mais de 16 mil euros, Vitória-Porto) e que já viram interditado o seu estádio por muito menos do que agora aconteceu.

Este é o futebol que temos. O mesmo futebol que não premeia o mérito e que escolhe a dedo os jogadores para a sua selecção. O mesmo futebol que continua a tratar de modo tão diferente quanto descarado os vários clubes que competem nos mesmos campeonatos. É este futebol que querem que amemos e que ajudemos. Como dizia o outro "E o Burro sou eu?" Nunca pensei em juntar citações de Scolari e Queiroz na mesma frase, mas acho que talvez assente que nem uma luva a tudo isto. "É preciso limpar a porcaria que há na Federação".



Foto: Record

3 Comentários:

BlackSG disse...

Totalmente de acordo, é vergonhoso o que hoje se passou....

tira mesmo vontade de se ver futebol em portugal, o vitoria é mesmo a unica coisa que me prende ao futebol portugues...

13/2/13 21:52
luis cirilo disse...

A questão aqui, como noutras matérias, é sempre a mesma.
Quando é que 28 clubes das competições profissionais darão o seu "grito do ipiranga" e se libertam desta corrupção sem fim que protege os chamados grandes mais o seu caricato aprendiz?
Esta semana o conselho de disciplina(de quê???) foi longe de mais no proteccionismo aos filhos.
Bonito seria que os enteados se revoltassem. Mas vamos esperar sentados

13/2/13 22:14
José Paulo Cardoso disse...

Pois é meus caros, como diz o n/consócio Luis Cirilo, toda a gente vai esperar sentada. Com a eleição do novo presidente da (des)liga, falava-se numa "grande vitória" dos clubes, ditos, pequenos. Puro golpe de ilusionismo, pois tudo continua na mesma, quiçá ainda mais controlado pelos do costume. Preparem-se, não causem distúrbios no estádio pois, palpita-me, que depois desta nova lei das policias, o primeiro estádio interditado irá ser o nosso!

14/2/13 08:39