domingo, maio 12, 2013

Voz do Leitor

Recebemos o pedido de publicação do texto seguinte por parte de um leitor.
 

 
BILHETES PARA O JAMOR: FANTASIA E REALIDADE
 
É na Direcção do Vitória, e exclusivamente nela, que reside a responsabilidade máxima por criar as condições adequadas de acesso dos Sócios e dos Vitorianos à compra de bilhetes para o Jamor, e que tal processo decorra de forma digna, organizada e inquestionavelmente transparente. Para tal, e face à experiência da venda de bilhetes de há dois anos, impunha-se que tivessem sido definidos critérios rigorosos para que as coisas pudessem decorrer nos devidos e desejáveis moldes. Podiam, por exemplo, e aprendendo com diversos bons exemplos que estão à vista de todos, estabelecer dias concretos para a compra de bilhetes consoante a idade de filiação do sócio, mas obrigando sempre à compra através do respectivo cobrador, o que abrangeria boa parte dos Sócios mais antigos e obrigaria ao contacto pessoal. Dessa forma, conseguiria certamente evitar-se que desde o primeiro momento da venda de bilhetes o acesso fosse possível pela mera apresentação de cartões de sócio, que podem ser apresentados à boca da bilheteira pela mão de um mero, e mesmo que respeitável, cidadão qualquer, seja Vimaranense ou não, seja Vitoriano ou não.
 
Por exemplo, no primeiro dia de bilheteira o acesso poderia ter sido reservado apenas aos Sócios com pelo menos 50 anos de filiação completa, no segundo dia aos Sócios com pelo menos 25 anos de filiação completa, no terceiro dia aos Sócios com lugar anual, no quarto dia aos restantes Sócios sem lugar anual e apenas com as quotas em dia, e apenas no quinto dia haveria acesso ao público em geral, com todos os níveis de acesso pelos Sócios a exigirem contacto directo com o respectivo cobrador. Um processo destes, ou semelhante, exigiria uma logística assim tão pesada ? Ou será que o grande entrave à modernização, à optimização de recursos e à adopção de procedimentos profissionais e sensatos no Vitória parece residir apenas em dificuldades de “logística mental”?
 
Porém, tudo indica que a Direcção fez uma análise inadequada à experiência passada e às suas responsabilidades, e novamente venceu o livre arbítrio de certos grupos de pessoas que se anunciam como “auto-legitimadas” para organizarem o seu próprio esquema de assalto aos bilhetes para o Jamor. Pessoas essas que até Sócios do Vitória poderão não ser, consideram-se legitimadas para ditarem regras aos Vitorianos, que, infelizmente, e como quase sempre, se sentem impotentes para reagir colectivamente face a mentiras e esquemas ardilosamente urdidos.
 
Basta estar atento ao que se passa nos clubes bem organizados para perceber que existe o cuidado de estabelecer níveis de acesso, e só após um anunciado e transparente acesso privilegiado a quem merece efectivamente esse privilégio, é que a bilheteira abre ao público em geral. Por isso mesmo, e ao contrário de ter criado um frágil critério de acesso privilegiado de apenas 8 horas para os Sócios com lugar anual, a Direcção deveria ter estabelecido diversos níveis de acesso privilegiado progressivo aos Sócios ao longo de diferentes dias, antes de abrir a bilheteira ao público em geral, concedendo tempo e uma forma confortável de todos terem acesso a bilhete, bastando para tal que as regras fossem atempadamente anunciadas e assimiladas por todos os interessados e intervenientes. É que ninguém pode escamotear o imenso número de pessoas que, há semelhança do que aconteceu há dois anos atrás, terão acesso ao seu bilhete sem terem necessidade de ir para as filas. Seja pelo facto de trabalharem directa ou indirectamente no Vitória, de terem familiares ou amigos que lá trabalham, seja através de toda a teia de contactos pessoais que cada um efectivamente tem e à qual se sente na necessidade e no direito de recorrer nestas situações insólitas e invulgares.
 
É bem possível que há dois anos pelo menos um quinto dos bilhetes tenham sido adquiridos por contacto privilegiado e sem recurso a filas, e esta mera estimativa pode muito bem estar a repetir-se este ano, dada a forma como os bilhetes parecem não apenas voar: quase se evaporam. Ora, se há acesso privilegiado, porquê escondê-lo ? Que interesse poderá alguém retirar disso ? Porque não se assume um anunciado, transparente e criterioso acesso privilegiado aos Sócios que são quem efectivamente merece esse privilégio ?
 
Por tudo isto, é inexplicavelmente surpreendente que esta Direcção, onde a craveira dos seus membros é inquestionavelmente reconhecida, tenha incorrido na mesma incapacidade da Direcção anterior em organizar condignamente uma simples venda de bilhetes. Eu não teria sentido necessidade de recorrer a esta crónica, sendo tão veemente no que aqui manifesto e transmito, se não tivesse tido o cuidado de previamente procurar alertar quem de direito para algumas das preocupações e considerações acima expressas, tendo recebido, em troca, apenas uma série de respostas e contra-argumentos perfeitamente disparatados e inválidos, e que não posso tornar públicos não apenas pela razão óbvia de serem proferidos em contacto privado, mas também porque a instituição Vitória me merece um tipo de respeito que muitos propalam mas nem todos praticam. Dessa troca de argumentos, a única inconfidência em que incorrerei será a seguinte, inofensiva mas esclarecedora: “Deixa-te de fantasias.”
 
Pois: haverá pessoas para quem a fantasia e a realidade terão fronteiras ténues e indecifráveis, tal como a transparência e as aparências. Para outras, porém, as fronteiras são bem definidas, porque os critérios também nunca deixam de o ser !
 
Em prol do respeito pelos Sócios e do bom nome da instituição Vitória, seria na verdade benéfico para todos, e para o Vitória em particular, que se soubesse e quisesse, em todas as áreas de seu mandato ou responsabilidades, decidir sempre em função da realidade, deixando de alimentar certas e desnecessárias desresponsabilizações e subterfúgios. É que, com a dura, e por vezes lamentável e inexplicável realidade, são normalmente os Sócios que se deparam, mais tarde ou mais cedo.
 
Viva o Vitória !
 
José Machado, Sócio n.º 8781


Foto: Sítio oficial Vitória SC

4 Comentários:

Peska disse...

Eu lamento escrever isto, mas boa parte dos sócios não têm civismo para lidar com este tipo de situações.
Não hesitam em "arranjar esquemas" para passarem por cima de outros consócios! Isso é o que me deixa triste!
Se a direcção podia fazer melhor? Penso que sim: bastava estipular que cada sócio só teria direito a um bilhete! Filas até ao hospital? Paciência! Há sócios que não merecem mais do que isto!
Quanto ao numero de bilhetes, penso que a contabilidade está correcta.O Vitoria teve 10700 bilhetes, e estavam distribuídos da seguinte forma: 5000 de 15€, 3000 de 20€ e 2700 de 30€. Tendo em conta o numero das famosas senhas, parece-me que bate certo!

12/5/13 18:34
Francisco Fonseca disse...

"Tendo em conta o numero das famosas senhas, parece-me que bate certo!" eu com a senha 1955 não tive bilhete: 5x1955=9775. Tá certo então...

12/5/13 21:51
Francisco Fonseca disse...

"Tendo em conta o numero das famosas senhas, parece-me que bate certo!" eu com a senha 1955 não tive bilhete: 5x1955=9775. Tá certo então...

12/5/13 21:51
Hugo Vilas Boas disse...

“Nada” bate certo, muito menos os números... com a agravante de a direcção do Vitória Sport Clube não ter feito cumprir as próprias regras que estipulou.
Já não bastou os sócios do VSC terem sido lesados com as ditas regras e falta de organização, como por exemplo haver apenas uma fila após as 16h00 (como era possível saber ou não se estavam pessoas na fila já antes das 16h00 sem lugar anual e pessoas mais atrás com lugar anual, também já na fila antes das 16h00???), ainda deram prioridade aos que se fizeram sócios e aos que apenas renovaram a cadeira anual nesse mesmo dia, ou seja, ontem dia 12-05-2013, pois como se pode confirmar no site oficial do Vitória Sport Clube, o número de sócios aumentou de 26385 para 26664 (+ 279) e os lugares anuais de 13372 para 14171 (+ 799).

Mais ainda segundo já foi comentado aqui neste blogue http://ovimaranes.blogspot.pt/2013/05/esgotados.html, “porquê que a meio da manhã de domingo se instituiu que nos 5 cartões que eram permitidos a cada sócio, pelo menos um teria de ser da pessoa que levantava os bilhetes. o que aconteceu antes?”, o que a ser verdade é inadmissível e demonstra os interesses ou amadorismo com que esta direcção actuou ou pactuou.

13/5/13 18:20