sábado, janeiro 11, 2014

A fotografia da discórdia



Ponto prévio. Não sei se minoria ou não, mas faço parte daqueles que defendem que os dois principais clubes do Minho não devem estar de costas voltadas. Acredito aliás, que os dois clubes terão sempre muito mais a ganhar, na actual estrutura do futebol português, se lutarem "juntos" contra a hegemonia dos de sempre no nosso futebol. Isto, independentemente das rivalidades. Independentemente de, dentro de campo, qualquer vitoriano (e do outro lado acontecerá o mesmo) desejar derrotar sempre o rival e mais do que isso desejar ficar sempre por cima deste no campeonato. Para além disso, entendo que a crispação entre direcções dos dois clubes, muito contribuiu para o acumular de tensão entre os seus adeptos e para a violência que se foi registando, de parte a parte, ao longo dos últimos anos.
 
Posto isto, entendo no entanto que qualquer entendimento pressupõe que de um lado e de outro estejam direcções que honrem a sua palavra e que mostrem de forma cabal que pretendem, genuinamente, esse entendimento. Por isso, e atendendo ao corte de relações institucionais decretado em assembleia-geral do Vítória e, mais do que isso, às atitudes perpetuadas pela direcção do Sporting CB nos últimos anos e dias inclusive, sou obrigado a considerar que o aparente reatar de relações entre os dois clubes ontem, foi num timing completamente despropositado.
 
Quisesse António Salvador admitir que errou quando faltou à sua palavra e quando desrespeitou um acordo com a anterior direcção do Vitória, e por exemplo, a questão do preço dos bilhetes para o jogo de ontem não se tinha colocado. Aliás, foi o próprio vice-presidente vitoriano Armando Marques que assumiu à comunicação social que o Sporting CB nem sequer quis ouvir o pedido do Vitória quanto à permuta de bilhetes a um preço mais acessível e foi o mesmo Sporting CB que em comunicado voltou a desrespeitar o Vitória. Aliás, como o voltou ontem a fazer por exemplo quando, em pleno estádio municipal, anunciou apenas a constituição da equipa da casa, ignorando o Vitória.
 
Juntando a isto, o facto do corte de relações institucionais ter sido deliberado em AG, pedia-se mais prudência ao presidente do Vitória, Júlio Mendes. Parafraseando o comunicado poucos dias antes do dérbi do Sporting CB, "nós temos memória". E, por isso, o primeiro passo deveria ter sido dado pelo próprio presidente do Sporting CB, o que não veio a acontecer. Creio que Júlio Mendes terá sido surpreendido pela encenação do presidente da FPF e também por isso acredito que o presidente vitoriano acabará por explicar a atitude de ontem (e o significado da mesma) que não terá caído bem no seio da família vitoriana.
 
Tudo isto, independentemente daquilo que disse no início deste texto. Que defendo que os dois principais clubes do Minho, pese embora a rivalidade histórica, mantenham relações cordiais, a bem do futebol da região.

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