domingo, fevereiro 23, 2014

Um ciclo difícil



Quando Moreno e Rui Vitória no final do jogo no estádio do Bonfim apelavam à calma, tentando que os vitorianos encarassem a realidade de frente e, acima de tudo, percebessem aquilo que salta à vista de todos, de que o Vitória não terá as condições que outros têm na luta europeia, as palavras de ambos não foram bem aceites por alguns vitorianos. 

A verdade é que, a quem se tira e não se acrescenta, não se pode pedir mais do que estar na luta e, mais do que isso, ambicionar estar nessa luta. O triunfo na final do Jamor pode ter transmitido, erradamente, a ideia de que tudo estava feito, de que o Vitória teria queimado etapas, mas não. O Vitória mantém os mesmos problemas que teve na temporada passada, e as mesmíssimas virtudes também. E é bom que não o esqueçamos.

Aliás, o problema muita vezes do Vitória, ao longo da sua história, foi alterar o seu caminho, por mais difícil que fosse, por via de triunfos que geraram euforias desmedidas. Tal como já dizia no final da temporada passada, é importante que o objectivo seja consolidar a estrutura e pensar a longo prazo, muito mais do que reduzir o pensamento a uma temporada, e condicioná-lo a cada vitória ou desaire.

Realisticamente o Vitória não tem as mesmas armas que muitos dispõe nesta luta europeia, mas tal como sucedeu na última temporada terá sempre que ter, fruto daquilo que é a génese do clube e da sua terra, o dobro da ambição e da garra.

O Vitória não tem obrigação de conquistar um lugar de acesso às competições europeias, mas tem a obrigação de fazer de tudo para estar nessa luta até final. O Vitória não tem obrigação de conquistar nove pontos no ciclo terrível de 3 jogos que se seguem, mas tem obrigação de terminar as partidas - tal como em muitos jogos da última temporada - com a noção de que esgotou todas as suas forças no sentido de conquistar o melhor resultado possível.

E este pensamento serve para as duas equipas do Vitória, A e B. Mas para qualquer outra que vista o Rei ao peito. Nunca se exigem vitórias, mas sempre se exigirá que o Vitória não abdique de nenhuma das suas lutas. Seja no Campeonato Nacional de Seniores ou na Liga Zon Sagres. Porque ser Vitória não é ganhar sempre, mas é ficar sempre com a convicção que tudo se fez para ganhar.

Por isso, amanhã na Luz ou na jornada seguinte com o FC Porto, quero ver o meu Vitória. Com as limitações que sabemos, mas com a garra que tanto elogiamos no ano passado. E este plantel já mostrou que tem fibra forte e qualidade de sobra para mostrar isso mesmo!

0 Comentários: