segunda-feira, maio 26, 2014

Obrigado rapazes! Para sempre, obrigado!


Obrigado rapazes. Para sempre, obrigado por me terem proporcionado o dia mais feliz da minha vida. Obrigado pelas lágrimas que verti, pelos sorrisos que deixei naquele vale do Jamor, pelo brilho no olhar que ainda hoje aparece quando recordo aquela tarde. Obrigado pela voz que perdi no dia em que tornaram o meu sonho tão real. Obrigado por cada golo que gritei. Obrigado pelo momento que vivi. Convosco. Por vós e por todos nós. Obrigado pelos que vingaram. Obrigado por terem tornado aquele momento tão eterno.

Hoje, olhando para trás, posso confidenciar-vos que sempre confiei em vocês. Mas confesso que vocês acreditaram sempre mais do que eu. Quando na véspera da final vos via andar pelos corredores do hotel, vos via tranquilos e confiantes, cheguei a comentar que a vossa tranquilidade me "assustava". Afinal de contas, aquele era um dia tão importante e vocês, do alto da vossa juventude, da vossa inexperiência, pareciam tão convictos, tão certos de que o dia seguinte iria ser um momento ímpar. 



Confesso. A vossa confiança fez-me acreditar ainda mais. Fez-me adormecer tranquilo e acordar com a sensação de que aquele seria o dia mais longo da minha vida. E mais confiante fiquei quando vi o vosso grande suporte começar a chegar tão cedo ao Jamor. Comecei a pensar que tinha de ser naquele dia. Não podia ser noutro. Um dia também mereceríamos ser felizes e estava escrito que seria naquele.

Quando vos vi entrar em campo, olhar para a multidão, temi que as pernas vos tremessem mas fiquei certo de que ali todos perceberam o que estava em causa. Tive, nessa altura, uma vontade enorme de gritar para os meus, dizendo-lhes para confiarem em vocês. Estava escrito nos vossos sorrisos descontraídos da véspera que aquele seria o vosso/nosso dia. 

Na tribuna de imprensa sofri. Sofri por não estar no meio dos meus. Sofri por não poder gritar por vocês. Revoltei-me quando a organização do jogo não quis acreditar em vocês e quis forçar uma escolha do melhor em campo. Como poderia eu escolher um melhor em campo se eu acreditava em vocês? Se eu acreditava que o melhor ainda estaria para vir? Eles não acreditavam, mas vocês fizeram-me sempre acreditar. 

Quando pude finalmente soltar a voz para narrar os vossos golos, as lágrimas apareceram. Como poderiam deixar de aparecer? Não era o único. Naquele momento não houve rádios, não houve concorrência. Houve um abraço sentido e feliz entre aqueles que tal como eu sentiram aquele momento. Houve a partilha das lágrimas que vocês nos fizeram correr.

Naquela altura, já sem voz, sofri por não poder ir a correr até vós. Por não poder estar no meio da bancada junto dos meus. Mas aquilo que me enchia o coração era saber que só um vitoriano conseguiria narrar aquilo e fazer passar para quem nos ouvia, aquele momento. 

Mal vos vi levantar a taça do local onde me encontrava, mas imaginei-me a fazê-lo. Julgo que todos os vitorianos a levantaram com vocês. Aqueles que convosco estavam a festejar, aqueles que à distância sofreram e aqueles que, tenho a certeza, num mundo longínquo também vibraram com aquele momento.

Em directo, acompanhei todos os vossos passos, país acima. Acompanhei os vossos sorrisos a cada paragem. E agradeci-vos aquele momento. Aquela tarde. Aquela noite. 

Lembro-me de naquela madrugada me deitar e, na minha cabeça, recordar todo aquele dia. E adormecer com o sorriso que ainda hoje me aparece quando escrevo estas palavras. Sim, faz hoje um ano que vivi o dia mais feliz da minha vida.

Obrigado rapazes! Para sempre, obrigado!

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