domingo, abril 12, 2015

A expulsão inclinou (1-2)



Não, não contem comigo para dizer que jogar com dez jogadores, é o mesmo que jogar com onze. Não, não contem comigo para dizer que sofrer uma lesão grave num jogador que é preponderante para a manobra ofensiva do Vitória é a mesma coisa. Nem sequer contem comigo para achar que expulsar um treinador do banco, sem que ele tenha feito nada para isso, não tem qualquer influência.

Mas sim, contem comigo para dizer que o Moreirense ganhou e ganhou bem, por ter sabido adaptar-se às incidências do encontro, das quais não tem responsabilidade, e operar a reviravolta no marcador. E contem também comigo para dizer que o Vitória, mesmo com dez jogadores, poderia ter feito mais.

O Vitória perdeu, é verdade, mas não fosse a expulsão de Josué e provavelmente tudo seria diferente. Uma expulsão mentirosa, mais do que pelo lance de Josué (que mesmo assim a falta não é evidente), mas porque o mesmo lance é precedido de um falta do avançado cónego sobre Moreno. Hugo Miguel fechou os olhos a uma, e abriu-os como se não houvesse amanhã para outra da qual estava a 30-40 metros de distância, sem qualquer sinalética do seu assistente.

Nesta altura, o Vitória já ganhava, fruto de um golo de Alex, depois de uma assistência do hoje titular Luis Rocha. Os vitorianos estavam aliás por cima do jogo e a controlar perfeitamente a vantagem e até com uma atitude competitiva que ia sendo sublinhada com aplausos pelos adeptos. 

Mas a expulsão tudo mudou. Tal como no Bessa. E, apenas por coincidência, de novo com um árbitro da AF Lisboa. Claro que muitos virão a terreiro lembrar o jogo de Belém em que, o Vitória também reduzido a dez jogadores venceu por 3-0. Mas saberemos todos que esta, não é mais a equipa da primeira volta. As justificações caberão a quem manda, claro, nomeadamente a Rui Vitória. Mas é evidente que a equipa não transpira agora a confiança de outrora e nem fisicamente está ao mesmo nível. Por isso, não comparemos, o incomparável. Hoje, um obstáculo custa muito mais a contornar. Hoje, se ganhar com onze já não é fácil, com dez é quase impossível. 

E se a isso juntarmos uma lesão grave de um dos jogadores mais importantes da equipa, Alex, mas difícil fica. Da mesma forma que poderemos juntar a expulsão de Rui Vitória, apenas porque Hugo Miguel viu aquilo que ninguém foi capaz de ver.

Com dez, o Vitória não conseguiu existir. Não se estendeu, recuou demasiado e expôs-se. O Moreirense cresceu e resolveu. E a partir daí, só o coração continuou a tentar levar a bola para a frente...

As coisas estão agora ainda mais difíceis. Mas o Vitória continua no 5º lugar, a necessitar de ganhar três dos seis jogos que tem para fazer. E a precisar urgentemente de não criar, ou que não lhe criem, obstáculos para além daqueles que os adversários já são capazes de criar.

Sexta-feira, há mais um dérbi. Sem Bruno Gaspar, Alex e Josué. Falta saber se com Rui Vitória ou não. Mas com ainda maior necessidade de ganhar. 

Uma última nota para Alex. Boa sorte para a recuperação e que voltes ainda melhor! 

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