segunda-feira, abril 13, 2015

Quem viveu, não esquece! (Jeremias, Nivaldo e Ziad)



Nas últimas duas semanas, na Rádio Fundação, no programa Contra Ataque, tive o privilégio de, um pouco a exemplo, daquilo que se tornou numa das rubricas mais populares deste blogue (recorde, clicando neste link), entrevistar três jogadores que marcaram a história do Vitória em décadas diferentes. Dois jogadores brasileiros, Jeremias e Nivaldo e um jogador tunisino, Ziad.

São do último, naturalmente, e por força da idade as minhas maiores recordações, mas dos outros mesmo não tendo recordações de jogos ou de prestações, a verdade é que creio que os conheço desde sempre, porque cresci a ouvir os seus nomes (como de muitos outros) e os elogios à sua qualidade. 

Repito aquilo que sempre digo. Um clube só pode ter futuro, se souber valorizar e respeitar o seu passado. E, neste casa, aqueles que contribuíram para o que somos hoje devem ser recordados e mais do que isso, as suas palavras devem ser escutadas por todos, principalmente por aqueles que envergam hoje a camisola do Vitória.

Os três repetiram, genuínas, palavras de alegria por serem recordados, e repetiram também juras de amor eterno a um clube que os marcou como nenhum outro. Mas e acima de qualquer outra coisa, os três estão gratos por aquilo que o Vitória fez por eles e pelas suas carreiras onde terão vivido os melhores anos das suas vidas. 

Aqui ficam, para memória futura, mais três testemunhos, de três enormes jogadores que espalharam magia no Vitória em três décadas distintas: 70, 80 e 90.

Comecemos pela década de 70. Se falarmos em Jorge da Silva Pereira, provavelmente dirá pouco a muitos dos adeptos do Vitória. Diferente será se trocarmos o nome, pela alcunha: Jeremias. Para muitos daqueles que viveram de perto a década de 70 do Vitória, é considerado um dos melhores avançados da história do clube e esse facto ainda se torna mais significativo se tivermos em conta que o jogador nascido em em Niterói (Rio de Janeiro), a 20 de Abril de 1949, só esteve duas temporadas no Vitória (74/75 e 78/79), intercaladas por três épocas no Espanhol de Barcelona.

A Rádio Fundação foi encontrar Jeremias no Brasil, ainda ligado ao futebol aos 65 anos, numa escola de futebol que criou na cidade onde reside. Jeremias diz-se muito agradecido ao Vitória e a Guimarães, onde viveu dois anos em que foi muito bem tratado. Um discurso emocionado de um jogador que marcou a história do Vitória.
 
Avancemos agora até à década de 80. Desta vez, o programa Contra Ataque da Rádio Fundação foi ao encontro do brasileiro Nivaldo. Alvo de rasgados elogios na década de 80, foi um dos melhores jogadores brasileiros que passaram por Portugal nessa mesmo período. Em Portugal fez grande parte da sua carreira, mas foi no Vitória onde terá passado os melhores anos da sua carreira. Surgiu em Guimarães como lateral, mas foi na posição de trinco que granjeou os seus maiores sucessos. Aliás, as suas exibições ao serviço do Vitória colocaram-no sempre na rota dos principais candidatos ao título do país, tendo mesmo aceite transferir-se para o Benfica depois da conclusão do seu contrato com o Vitória. Muitos anos depois, Nivaldo diz não esquecer o Vitória e as suas gentes.
 
Terminamos este ciclo de entrevistas, na década de 90. Hamed Ziad Tlemçani, nasceu no dia 10 de Maio de 1963 em Tunes, a capital da Tunísia. Chegou a Guimarães no Verão de 1990, e na bagagem trazia o rótulo de internacional pela Tunisia pelo que a sua aquisição foi já naquele tempo um investimento importante para o plantel na altura orientado por Paulo Autuori. Esteve praticamente 6 anos em Guimarães, e hoje é por muitos considerado um dos melhores pontas de lança que passaram pelo Vitória. Depois de abandonar a carreira de futebolista, manteve-se ligado ao futebol como director desportivo e mesmo vice-presidente do clube da sua cidade natal, o Esperance. Hoje é um dos mais bem colocados empresários tunisinos, sendo mesmo presidente de uma das maiores empresas de telecomunicações da região. O sonho? Ser um dia presidente do Vitória ou investir na SAD vitoriana, devolvendo tudo aquilo que diz que o Vitória lhe deu.
 

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